Cultura

Actividades artísticas e culturais ainda continuam sem público

A preparação de uma agenda artística capaz de responder aos anseios da maioria dos amantes das artes na capital do país, ainda continuam restrita à realização de espectáculos nas plataformas digitais, devido a pandemia da Covid-19.


A direcção do Centro Cultural e Recreativo Kilamba, que já está a perspectivar edições especiais do Muzongué da Tradição, disse não ter certeza quanto a reabertura do espaço nos próximos tempos “pelo cenário ainda não ser favorável”.

Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, o Estévão Costa disse que a definição do calendário das actividades artísticas e culturais ainda é uma realidade distante, mesmo com a possibilidade de juntarem, num recinto, até 150 pessoas. “Ainda não podemos voltar aos espectáculos à dimensão da casa. É claro que também temos de ter em conta as despesas com a logística e produção artística”, lamentou.

Devido aos vários factores de risco, o gestor mostrou-se céptico e prefere manter ainda encerradas as actividades, esperando um parecer favorável até à próxima revisão do Decreto Presidencial, no dia 7 de Novembro. “Vamos esperar um pouco mais e observar a evolução da doença”, disse.
Estévão Costa adiantou, ainda, que tão logo o país regresse à normalidade das actividades artístico-culturais, o Centro Recreativo Kilamba está pronto para atender as centenas de “farristas de quintal”, com projectos como Muzongué da Tradição. “Estamos preparados para reabrir o espaços ainda este ano. Mas preferimos, antes, ser, também, cautelosos”, garantiu.

Liga Africana

A Liga Africana não recebe nenhuma actividade cultural deste o dia 27 de Março, quando foi decretado pela primeira vez o Estado de Emergência Nacional. O mesmo cenário continua a se registar e nada indica uma eventual alteração, mesmo depois da “abertura gradual” das actividades culturais.
A direcção do espaço continua a propor aos grupos de teatro de Luanda, como os principais utilizadores do espaço, o reajustamento da tabela de preços. De acordo com o responsável para o sector das actividades culturais da Liga Africana, Dicanásio Jafete, a exibição de teatro na capital do país ainda continua a criar algum clima de incertezas e receios entre os fazedores de arte e os gestores dos espaços culturais, por culpa da pandemia.

Mesmo com as alterações do cenário “não houve nenhum pedido de cedência de espaços para eventos culturais, por receios da propagação da pandemia da Covid-19 e dos elevados custos que acarretam a produção de um espectáculo”.
A instituição, garantiu, tem redobrado às medidas de biossegurança para evitar a disseminação da doença, mas mesmo assim, o ambiente de insegurança prevalece. Ao longo deste período, a Liga Africana, lembrou, tem sido mais solicitada para cerimónias fúnebres. “Gostaríamos que o Circuito Internacional de Teatro (CIT) fosse realizado no espaço e de forma presencial, respeitando, acima de tudo, as devidas medidas de distanciamento social e de biosegurança”, almejou.

Teatro

A 5ª edição do Circuito Internacional de Teatro (CIT) acontece este ano sem público, de 30 de Outubro a 28 de Novembro, na Liga Africana e no Memorial António Agostinho Neto, em Luanda, apenas com “lives” em directo nas mais variadas plataformas digitais, informou, ontem, o coordenador do projecto, Tony Frampênio.
Devido à Covid-19, a organização prevê somente a participação de grupos de Luanda, com cinco elementos de cada grupo na plateia e integrantes das equipas de produção da TPA e do festival, descartando desta forma a possibilidade da inclusão do público.

“O actual cenário no país não nos permite realizar espectáculos com a presença do público. Por isso, este ano, o CIT acontece num formato especial, sob o lema ‘Angola 45 anos com teatro na promoção da cultura de paz”, disse.
As mesmas medidas de seguranças e o formato de apresentação dos eventos culturais, por via plataformas digitais, têm estado a ser seguidos pelos demais espaços, com realce para a Casa da Cultura Njinga Mbande, do Rangel, e o Horizonte Njinga Mbande.