Cultura

Boaventura Cardoso pede atenção ao semba

O escritor Boaventura Cardoso considerou lamentável o estado em que o semba se encontra, principalmente por ser um género a ser inscrito na lista do património imaterial da humanidade, mas, infelizmente, ainda está mais ligado a periferia.

Para o escritor, caso o país queira inscrever o semba no património da Humanidade precisa de valorizar mais este estilo. O antigo ministro da Cultura considerou ainda uma experiência gratificante o tempo de mandato e vê o actual período da Cultura muito diferente do anterior, devido a forte intromissão das redes sociais.
Para Ana Maria de Oliveira, que também já ocupou a pasta da Cultura, foi uma boa experiência, que a permitiu fazer um forte investimento no levantamento nacional das diferentes comunidades socioculturais do país, cujo resultado permitiu aplicar certas políticas. “Mesmo com um orçamento exíguo, contávamos com muita solidariedade por parte dos ministérios que tinham melhores possibilidades. Foi num tempo bem diferente deste”.
Por sua vez, António Burity da Silva, outro antigo ministro, disse que hoje o sector da Cultura padece cada vez mais de “falta de identidade cultural”. “Continuamos a deixar desaparecer, pela ilusão dos ventos, aquilo que é intrinsecamente nosso. Não há controlo, ou seja, não se sente do governo o papel de reitor na política cultural, principalmente para a juventude. Não termos harmonia de sons, mas sim gritos, nem tão-pouco instrumentais, senão muito barulho”, criticou Burity da Silva. O então ministro apontou a música congolesa como um exemplo a ser seguido.
A actual ministra da Cultura, Maria da Piedade de Jesus, agradeceu o contributo dos antigos ministros da Cultura, dos quais recebeu “um bom e grande legado”. “Foram quem, de certa forma, desenharam as bases do que é hoje o Ministério da Cultura, cada um a seu tempo e contexto, deram o que podiam”, admitiu.
Entretanto, acrescentou, apesar das bases estarem criadas, existem, ainda, muitos desafios no sector, um dos quais a quebra de alguns valores morais e culturais, cuja solução passa por um engajamento maior na cultura de paz e no espírito de unidade nacional.
Os antigos ministros da Cultura foram distinguidos, na sexta-feira, na União dos Escritores Angolanos, com diplomas de mérito e honra pelo ministério que então chefiaram. Ao acto marcaram presença os ex-ministros Boaventura Cardoso, António Burity da Silva, Ana Maria de Oliveira e o então secretário de Estado da Cultura, Adelino Peixoto.