Cultura

Companhia anuncia projectos para o futuro

Um percurso e uma história. Assim se pode definir a experiência adquirida pelo grupo de teatro Horizonte Njinga Mbande ao longo destes 31 anos de carreira, celebrados no passado dia 8, com o anúncio de novas propostas cénicas e de cursos para actores.

Num encontro realizado, na terça-feira, no Centro Cultural Português, em Luanda, o director e co-fundador da companhia, Adelino Caracol, falou sobre os desafios diários e dos que ainda estão por vir para a materialização dos seus projectos.
Entre convidados e actores do grupo, Adelino Caracol anunciou a realização de vários espectáculos de teatro para celebrar o aniversário. As exibições começam hoje, às 19h45, no auditório da escola Njinga Mbande, com “O Xuxuado”, uma crítica social a determinados comportamentos da juventude angolana, em especial das jovens. A peça é apresentada até domingo no mesmo local. Aos finais de semana, o drama é apresentado em duas sessões, uma às 19h45 e outra às 21h00.
Além do anúncio dos projectos, foi também realizada uma palestra sobre o trajecto do grupo, onde foi destacado o impacto da primeira actuação do Horizonte no estrangeiro, no caso Portugal, como convidados do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), no Porto.
Na sua estreia, com “Previsões Erradas”, tiveram várias críticas favoráveis e este foi o “motor” que os incentivou a continuarem a apostar, com mais afinco, na carreira artística, de onde surgiram, até hoje, diversos trabalhos, alguns dos quais reconhecidos noutros festivais internacionais. Na altura, apesar da experiência, o grupo teve várias dificuldades, pois, como hoje ainda é visto, o teatro não é uma arte que dá muito dinheiro. “Só faz teatro quem gosta e quer fazer mais pela sociedade”, disse Adelino Caracol, para quem a saída dos actores não foi motivo para desistir.
“Depois daquele primeiro momento no FITEI, percebi que o teatro, além-fronteiras, estava num nível completamente diferente do que era feito no país. Por isso, apostei mais nesta arte, assim como na formação de jovens actores”, adiantou.
Com os anos de experiência, o encenador critica todos os que vêem nas artes uma saída do anonimato ou um caminho para o “dinheiro rápido.” “Se alguém pensa deste jeito, não vai ter muitas chances de se impor no actual mercado artístico nacional.”
Outro ponto importante para o desenvolvimento das artes cénicas nacionais é a falta de uma crítica especializada, capaz de avaliar os trabalhos apresentados pela maioria dos grupos e, desta forma, mostrar em que pontos estes devem trabalhar mais. “É uma luta de todos e não deve ser feita apenas no teatro, mas sim em todas as artes.”
O trajecto do grupo
O Horizonte Njinga Mbande é um dos mais populares grupos de teatro angolano. Criado em 1986, os seus espectáculos estão entre os mais procurados de Luanda. Constituído por professores e estudantes, de diferentes níveis de ensino, tem a sua sede na escola Njinga Mbande. Com escalões que vão do sénior, júnior e infantil, o grupo também tem desenvolvido actividades ligadas à dança, música, desenho e pintura.
Além da companhia de teatro, tem uma outra de dança, denominada Ballet Njinga Mbande, e ministram cursos de formação para actores, operadores de câmaras e editores de vídeo.
Fundado por Adelino Caracol e Ezequiel Issenguele, que na altura queriam fazer uma série de televisão e para tal escreveram um guião para uma série intitulada “O Regresso Marcante”. Na altura, o projecto, apresentado na TPA, foi recusado. Por isso, com os jovens estudantes e artistas, que tinham reunido, ensaiaram para levar a peça ao palco. O nome do grupo surge como uma homenagem à Rainha Njinga Mbande.
Entre as suas peça, destacam-se “A Importância das Coisas Sem Importância”, “O Fruto do Desemprego” e “Acontecimento e Apelo à Paz”. Mesmo vinculado à Secretaria de Estado da Cultura, o grupo sempre procurou por apoios para financiar os seus projectos. Actualmente, têm um repertório de 250 peças, entre obras originais e adaptadas. Os seus espectáculos já foram apresentados em todas as províncias do país. Uma das exibições mais populares é “O Regressado”, um retrato cómico sobre a guerra em Angola.