Cultura

Etu Lene exibe no sábado “Marcas de um Passado”

O retrato das intrigas do passado que originaram fortes cenas de violência, entre os naturais de Catete e os de Malanje, é o enfoque da peça  de teatro “Marcas de um Passado”, que vai ser exibida no sábado às 20h00, pelo grupo Etu Lene, na Escola da Jota, junto ao Mercado dos Congolenses, no Distrito Urbano do Rangel.

De acordo com a sinopse de “Marcas de um Passado”, dona Gonga, personagem que vai ser interpretada pela actriz Marcelina Afonso, não aceita que o filho Gaspar, interpretado pelo actor Eduardo, se case com a jovem Susana Dya Njinga, encarnada pela actriz Luana Dialundama, por esta ser de Malanje.
Da “rivalidade” de geração, a peça desenrola-se num ambiente de humor à mistura, cria empatia entre o público e os actores, que durante uma hora de espectáculo transportam em palco as histórias de um passado, que estão a desaparecer com o passar do tempo. Os anos passam e a história fica. É com esse propósito que o grupo, de acordo com o encenador Beto Cassua, traz à reflexão um assunto que era de difícil resolução, por estarem em causa questões de supremacia entre as duas regiões.
“Esta é uma peça, com uma picada de humor acentuada, que reflecte acontecimentos verídicos que doravante fazem parte da história e que deve ser transmitida às novas gerações, por formas a conhecerem o passado”, disse Beto Cassua.
Apesar dos aspectos tradicionais estarem presentes durante à exibição da peça, como as vestimentas, alimentação, a localização do espaço geográfico, o grupo procura, fundamentalmente, abordar aspectos ligados à integração social, afasta as intrigas do passado causadas pelo regionalismo.
Escrita pelo encenador Beto Cassua, a peça evidencia a contradição existente entre os catetenses e malanjinos.
O Etu Lene venceu, em 2002, o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Artes do Espectáculo.