Cultura

Horizonte exibe dramas no Dia dos Namorados

“As malas” e o “Homem do Sofrimento” são as duas propostas dramáticas escolhidas pelo grupo Horizonte Njinga Mbande para saudar o Dia dos Namorados, por serem reflexões, adequadas aos dias de hoje, sobre os relacionamentos modernos.

Hoje, a companhia exibe duas sessões, na escola Njinga Mbande, em Luanda, uma às 19h00, com o espectáculo “As malas”, no anfiteatro número 1, e outra às 21h00, “Homem do Sofrimento”, na sala 2.
As exibições, denominadas “Gala dos Namorados”, saúdam o Dia de São Valentim, comemorado hoje. Amanhã e domingo, as mesmas peças voltam a ser exibidas em duas sessões, uma às 19h30 e outra às 21h15, no mesmo local. Os espectáculos servem ainda para o público tomar contacto com o reabilitado anfiteatro número 1, encerrado durante três anos para obras.
O drama “As malas” é uma crítica ao actual conceito de felicidade, feito a partir do relacionamento conjugal das personagens Weza, Carla e Patrícia, que passam por inúmeros problemas e decidem desvendar os segredos do quarto em palco. Durante o desenrolar da peça, que tem no elenco os actores Joana Virgínia, Kennedy Nókia, José Galiano, David Inoque, Rafaela Geovete e Catarina Andréa, o público é levado a fazer, em uma hora, uma reflexão, realista e coerente, sobre alguns aspectos relevantes dos relacionamentos conjugais, com realce para o adultério, infertilidade e os problemas financeiros.
Embora seja pouco encenado, o drama “Homem do Sofrimento” foi escrito para homenagear a dedicação e sacrifícios que muitos chefes de família passam para sustentar as famílias. Inspirada em factos reais, a peça conta a história de um homem ho-nesto e dedicado aos afazeres, que encontra a mulher dos seus sonhos. Porém, acaba por dedicar muito tempo a ela e com os anos sente-se traído por não receber uma compensação à altura.
Criado a 8 de Outubro de 1986, o Horizonte Njinga Mbande tem apostado no desenvolvimento das artes cénicas, com a realização de cursos de formação de actores e técnicos e tem usado o teatro para trabalhar activamente na mudança de mentalidade da sociedade.

Actores de teatro ganham novo espaço cénico

A reabertura do anfiteatro principal da escola Njinga Mbande vai ganhar maior relevância, a partir do segundo trimestre deste ano, quando começar a promover actividades artísticas, garantiu, quarta-feira, em Luanda, o director da Companhia Horizonte Njinga Mbande, Adelino Caracol.
Em declaração ao Jornal de Angola, à margem da reabertura da sala de espectáculos de teatro, o responsável adiantou ser intenção tornar o espaço lucrativo e multifuncional, para permitir promover as artes, em particular o teatro, na capital.
O projecto, disse, é dar maior dignidade às actividades culturais realizadas no local e deixar um legado que deve ser bem aproveitado pelas gerações vindouras. “Esta é uma prova de que podemos fazer alguma coisa ao longo desses anos em prol da preservação das infra-estruturas culturais, servindo de exemplo para outros projectos semelhantes”.
A recuperação do denominado "Anfiteatro número um" custou 300 mil dólares. O montante, de acordo com Adelino Caracol, foi empregue na contratação do empreiteiro, reabilitação dos banheiros e compras do equipamento para o apetrechamento da sala de espectáculos.
A sala esteve encerrada para obras, durante três anos. Agora, com o melhoramento da infra-estrutura, tem capacidade para 200 pessoas. A reabertura da sala vai permitir aos grupos terem um espaço adequado, onde podem actuar com regularidade.
O local vai igualmente promover encontros de debate sobre as dinâmicas da arte. A recuperação do espaço, explicou, é parte da estratégia de direcção da companhia para se tornar numa instituição auto-sustentada.
Testemunharam a reabertura do espaço, a representante do Ministério do Interior, a co-missária Maria do Rosário, o Secretário para a Juventude, Francisco João, e o director do Gabinete Provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desporto, Manuel Gonçalves.