Cultura

Obras de Manuel Rui no Instituto Camões

A trajectória literária do escritor Manuel Rui Monteiro está patente a partir de segunda-feira, dia 16, no Centro Cultural Português, em Luanda, no âmbito da  iniciativa “Escritor do Mês na Biblioteca Camões” destinada a  divulgar autores de língua portuguesa.

Nesta terceira edição, os apreciadores da literatura angolana  têm a oportunidade de conhecer detalhadamente o percurso de um dos maiores autores da nossa literatura. Nos dias 16 e 26, entre as 10h00 e as 11h30, será revisitada a obra deste romancista, contista, ensaísta e poeta.
Com uma vasta obra publicada, a sua prosa, quase sempre poética, está profundamente marcada por preocupações estéticas de um realismo social, que celebra o homem comum, quase sempre de Angola. Muitas das suas personagens revelam-se caricaturas de comportamentos perversos.
A sátira e a ironia são os recursos estilísticos dominantes nos trabalhos de Manuel Rui, que é  igualmente o autor da letra do Hino Nacional, co-autor do suplemento Sintoma do Jornal do Centro e membro da editora Centelha. Figura de relevo da literatura  angolana. Manuel Rui manteve sempre uma estreita colaboração com diversos jornais e revistas. No triângulo da Língua Portuguesa constituído por  Angola (Jornal de Angola,  entre outros), Portugal (“Público”, “Jornal de Letras”) e Brasil (“Terceiro Mundo”).
Manuel Rui é um dos  fundadores das edições Mar Além, onde foi editada a Revista de Cultura e Literatura dos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), e fundador da União dos Escritores Angolanos (UEA), União dos Artistas e Compositores Angolanos e da Sociedade de Autores Angolanos.
Também é autor de várias canções em parceira com Rui Mingas e André Mingas bem como com Paulo de Carvalho e Carlos do Carmo (Portugal), Martinho da Vila e Cláudio Jorge (Brasil). A sua vertente literária inclui uma vasta obra de poesia e de ficção publicados desde 1967.
É autor do primeiro livro de poesia e do primeiro livro de ficção publicados em Angola após a Independência. Entre os vários prémios em que foi distinguido conta-se o Caminho das Estrelas 1980, pela emblemática obra “Quem Me Dera Ser Onda”, já adaptada ao teatro em  Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde.
Em 2003, foi galardoado com o Prémio Nacional de Cultura na área da Literatura, ao qual renunciou. Alguns dos textos encontram-se traduzidos em umbundu, alemão, espanhol, hebraico, finlandês, italiano, servo-croata, sueco e russo.
Manuel Rui nasceu no Huambo, em 1941. É licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, Portugal. Após o 25 de Abril, regressou ao país, tornando-se ministro da Informação no governo de transição.
Foi também o primeiro representante de Angola na Organização de Unidade Africana e  director do Departamento de Orientação Revolucionária e do Departamento dos Assuntos Estrangeiros do MPLA.