Cultura

Singela homenagem ao cantor e compositor Artur Adriano

O impacto artístico e social das canções escritas por Artur Adriano, muitas das quais revisitadas pela nova geração de intérpretes, constituiu um marco fundamental no processo de corporização da história da Música Popular Angolana.

Autor do clássico “Belita”,o cantor viveu intensamente a época em que despontavam as grandes agremiações culturais nacionalistas, nomeadamente, o Fogo Negro, “Henda Xala”, “Muzangola”, Bota-fogo e “Kimbandas do Ritmo, grupos que acabaram por constituira génese artística da primeira fase do processo de formaçãoda Música Popular Angolana.
À época, o jovem Artur Adriano participava em múltiplas tertúlias com os tios, Ukakongo, Capita e João Brasileiro, três guitarristas que influenciaram o aspirante a cantor, na estruturação estéticae melódica das suascomposições. No entanto, a musicalidade do Bairro Operário e o acompanhamento das primeiras experiências dos “Kissueias do ritmo”, grupo do Barceló de Carvalho e Carlos Lamartine, levaram Artur Adriano a integrar, em 1966, o conjunto, “Estrela Negra”, com Paquete (tambor), Mamukueno (voz e dikanza), e El Óscar (voz e tambor), grupo, essencialmente, de percussãoque ensaiava nos quintais da Igreja da Missão de São Paulo.
Depois da passagem pelo “Estrela Negra”, Artur Adriano mudou de residência de forma inesperadado Bairro Operário para o Bairro Marçal e fundou os “Divuas do Ritmo”, como vocalista, com Santos Júnior (tambores e bate-bate), Fixe (viola solo) e Laurindo (viola ritmo). Deste período o cantor recordou o seguinte, “Na altura era muito joveme estes dois gruposajudaram a consolidar a minha visão musical, constituindo uma mola impulsionadora de tudo o que veio a acontecer depois, incluindo os sucessos da fase posterior da minha carreira a solo”.
Filho de Francisco Augusto Adriano e de Maria Amélia, Artur Augusto Adriano nasceu em Luanda, Bairro Marçal, no dia 17 deDezembrode 1947, e morreu no dia 25 de Maio de 2013, vítima de doença.

Carreira

O fim da dependência aos grupos musicais com individualidade própria, numa fase transitória da sua carreira, determinou o início do seu percurso a solo, instaurando uma importante transmutação estética da sua obra, ao nível do acompanhamento instrumental e dos arranjos. Foi nesta altura que Artur Adriano gravou os singles: “Nvula”e “Santa”, (1966), Kalunga e Fefa (1967), tendo registado, depois, Sumaúma”, “Ndoce iá Lelé”, “Carnaval”, e “Ondóngui bete ngó” (1968). O clássico Belita, cuja letra transcrevemos neste texto, apareceu em 1972, ano em que termina o período mais criativo e prolífero da sua carreira.

Temas

A obra de Artur Adriano desenvolvecomo principais temas e motivos de criação musical, a exaltação da beleza feminina, amor, carnaval, morte, feitiço, alusão a iguarias tradicionais, Deus, a graça do cultivo e ausência da abundância agrícola,as ocorrências pitorescas do quotidiano dos musseques de Luanda e anatureza, nesta perspetiva o cantor imortalizou a canção “Nvula”, um belíssimo tema, cujo texto integral transcrevemos: Óhnvula/ Kukambekunoke/ Issukussukunzambi/ Issukussukunzambi/ Pala ku tu abessó muxima/ Nzambi, akuá musseque ólodila/ Nzambi, akuá musseque ólodila/ Ó fuadinhaiólo fuá / Ó idingoiólobolá…

Kissanguela

Importante figura do período mais representativo da canção política, Artur Adriano fez parte do agrupamento “Kissanguela”, em 1974, participação que culminou com a gravação da canção “Povo com Neto”, em 1976, uma composição em homenagem ao poeta Agostinho Neto, mergulhando, definitivamente, o compositor no universo da canção política.
No “Kissanguela”, Artur Adriano encontrou os cantores e instrumentistas que marcaram a históriae o período áureo do agrupamento, José Agostinho, Manuelito, Quental, Filipe Mukenga, Mário Silva, Raul Tolingas, Massangano, Gaby Pireza, Belmiro Carlos, Candinho, Santos Júnior, Elias diá Kimuezo, Tonito, Sigismundo Costa, Carlos Lamartine, Calabeto, Fató, Urbano de Castro, David Zée Artur Nunes. Artur Adriano foi ainda acompanhado pelos Kiezos, Gingas, Anazanga, Águias-reais, Musangola, Ndimba Ngola, e FAPLA-POVO, o último na época do David Zé, Artur Nunes, e Urbano de Castro.

Distinções

Artur Adriano foi homenageado, pela importância histórica e cultural da sua obra, no dia 27 de Marçode 2005, na 35ª edição do programa Caldo do Poeira, da Rádio Nacional de Angola, em acto realizado no Centro Recreativo e Cultural Kilamba. No concerto de homenagem, participaram Carlos Lamartine, Santos Júnior, Calabeto, Mamukueno, Zecax, Joãozinho Morgado, Massano Júnior, Raúl Tolingas, Zé Fininho e Candinho que, acompanhados pela Banda Movimento, interpretaram sucessos do compositor. Na ocasião foi lançado o CD “Memórias de Artur Adriano”, um trabalho discográfico referencial da carreira do cantor, que inclui as canções, Belita, Santa, Kalunga, Povo com Neto, “Ndoceyá Lelé”, “Nvula”, Carnaval, São Saravante, Rumba Fefa, “Sumaúma”, “Sunga sunga”, “Muvuyonene”, “Bombalada”, Velha Cahombo e “Soba Kambimbi”. Artur Adriano arrebatou, em 2005, o prémio Semba de Ouro, num concurso realizado pela UNAC, União Nacional de Artistas e Compositores, tendo sido distinguido com o Diploma de Honra, na categoria pilares da música angolana, pela mesma agremiação, no dia 30 Setembro de 2011, “pelo seu contributo para o desenvolvimento da Música Popular Angolana”.

Discografia

Depois de trinta e nove anos de silêncio discográfico, com aparições dispersas em vários concertosno país e no estrangeiroe a edição do CD “Memórias” (2005), pelo Caldo do Poeira, da RNA, Rádio Nacional de Angola, Artur Adriano reapareceu com “Ngola Wabiluka” (Angola está transformada), CD onde o cantor revisita momentos importantes da sua carreira com a gravação de “Ndoceyá Lelé” , “Bombalada”e “Belita”, na versão original. Cantado integralmente em kimbundo, o CD inclui ainda sete canções inéditas, “Diogo”, “Ngola Wabiluka”, Ambição, Zebele, “Kupolo” “Comboio” e “Se uexilekamba Diami”. O CD “Ngola Wabiluka” teve a participação dos instrumentistas, Joãozinho Morgadoe Correia (percussão), DJ Mania (teclas, percussão ligeira, programação e arranjos), Mikeias, Hugo Macedo e Rufino Cipriano (teclas e piano), Zé Mueleputo, Kintino (guitarras), Pedrito e Mias Galheta (guitarra baixo), Jota, Xalita, Romão e Dinho (bateria), Nanutu (saxofone), José Kafala, Alice, Carla Neto, Linda, Cissa (coros) e João Alexandre, Kintino, Botto Trindade (arranjos musicais).

Clássico

O clássico “Belita”, paradigma musical da carreira de Artur Adriano, é uma das canções mais conhecidas e interpretadas pelas gerações mais jovens de cantores e consagrou Artur Adriano na plêiade dos mais importantes compositores angolanos. Pela importância do tema na carreira docantor, transcrevemos a letra integral, Mãe Kuebi/ mu ngongoua vale òmonazé / Kalumba ni kuaba/ Katé ni muxima/ Uamiuatexika/ Muenié/ uala ni polo iá Santa/ ni muximaiáZambi/ Osso u ngibeka/ Ómanhikumbanduiami/ U mu banaiossouandala/ Belita/ Muxima uami ua texika/ Belita/ Muximauamiuatexika/ Messu mami paleie/ Maku mami paleie/ UéBelita/ Ué Belita.

Discografia

Depois de 39 anos de silêncio discográfico, com aparições dispersas em vários concertos no país e no estrangeiro e a edição do CD “Memórias” (2005), pelo Caldo do Poeira, da RNA, Rádio Nacional de Angola, Artur Adriano reapareceu com “Ngola Wabiluka” (Angola está transformada), CD onde o cantor revisita momentos importantes da sua carreira com a gravação de “Ndoceyá Lelé” , “Bombalada”e “Belita”, na versão original. Cantado integralmente em kimbundo, o CD inclui ainda sete canções inéditas, “Diogo”, “Ngola Wabiluka”, Ambição, Zebele, “Kupolo” “Comboio” e “Se uexile kamba Diami”. O CD “Ngola Wabiluka” teve a participação dos instrumentistas, Joãozinho Morgado e Correia (percussão), DJ Mania (teclas, percussão ligeira, programação e arranjos), Mikeias, Hugo Macedo e Rufino Cipriano (teclas e piano), Zé Mueleputo, Kintino (guitarras), Pedrito e Mias Galheta (guitarra baixo), Jota, Xalita, Romão e Dinho (bateria), Nanutu (saxofone), José Kafala, Alice, Carla Neto, Linda, Cissa (coros) e João Alexandre, Kintino, Botto Trindade (arranjos musicais).