Desporto

Clubes punidos pela FAF jogam final inédita da Taça

Protagonistas do caso mais badalado da época futebolística do país, que hoje termina, 1º de Agosto e Desportivo da Huíla disputam , às 15h30, no Estádio Nacional 11 de Novembro, a final inédita da Taça de Angola, com arbitragem de Benjamin Andrade, coadjuvado por Bernabé Ngulo e Ricardo Daniel, todos da Associação de Benguela.

À procura da terceira “dobradinha” do seu historial, juntar o troféu em discussão esta tarde ao do Girabola, feito alcançado em 1991 por Dusan Kondic (sérvio) e em 2006 por Jan Brouwer (holandês), os militares do Rio Seco orientados pelo bósnio Dragan Jovic detêm maior dose de favoritismo, apesar de defrontarem a grande sensação da temporada.
O triunfo de quarta-feira, por 1-0, na meia-final frente ao arqui-rival Petro de Luanda, dissipou as dúvidas que persistiam quanto à principal força da modalidade em Angola. Ao deixar os tricolores de mãos a abanar, no que toca a títulos, os rubro e negros abriram uma avenida no percurso rumo à conquista do sexto troféu da prova, feito que vai interromper o longo jejum de 10 anos.
Numa decisão fora do feriado do 11 de Novembro, a festa da Independência Nacional, o Dia de África pode registar um despique aceso entre duas das equipas mais competitivas do país, com a particularidade de terem nos plantéis jogadores e treinadores que conhecem ambos os balneários, o trunfo usado pela Federação quando decidiu puni-los com a perda de três pontos, por alegada viciação de resultado, no empate (3-3), no Lubango, após os militares da Região Sul estarem a vencer por 3-1, perto do final do jogo.
O último clássico dos clássicos fez mossa na fortaleza dos rubro e negros. Por acumulação de cartões amarelos, Show, o motor do meio campo, está afastado do desafio, à semelhança do goleador Mabululu, ausências que abrem portas para Mário e Mongo.
Na Taça tem imperado o critério da rotatividade dos guarda-redes. Mas, cumprido o jogo de suspensão, Tony Cabaça surge como forte concorrência a Neblu, a segunda escolha que passa com distinção sempre que merece a confiança dos treinadores.
Preocupado com a largura e profundidade do futebol praticado pelos tetra-campeões, Dragan Jovic aposta na manutenção do núcleo duro da equipa. Paizo, Bobô, Massunguna, Isaac, Macaia, Ary Papel, Zito Luvumbo, o reforço do final da temporada, e Dagó, mais-valia proveniente do Congo Democrático, figuram entre os prováveis titulares.
Emancipado e senhor do seu destino, do Desportivo da Huíla se pode esperar tudo, menos o papel de animador do baile do competidor mais capaz, numa posição de subserviência. Com aspirações para projectos de maior dimensão, Mário Soares promete colocar em campo a alegria que distinguiu os seus pupilos como defensores do futebol positivo.
Sem contar com os préstimos dos lesionados Bruno de Jesus, Nuno e Jacques, o treinador da equipa huilana ensaiou estratégias para explorar as debilidades do adversários, sobretudo a lentidão no reposicionamento defensivo, depois da perda da bola no ataque. Ndulo, Zé, Tchiwé, Sargento e Emilson, Elias, Cagodó, Malamba e Milton, Razaq e Lionel Yombi são candidatos a contar do onze, muito próximo do utilizado na vitória (1-0) sobre o Interclube, nas meias-finais.
Na terceira tentativa, depois das derrotas nas finais de 2002 e 2013, frente ao Petro de Luanda, o recordista da competição, com 11 triunfos, o Desportivo, apurado para as Afrotaças, procura erguer o troféu. Será a primeira conquista de dimensão nacional do clube fundado em 1998, que tem no historial o título provincial da Huíla.

Acentuado desequilíbrio intriga adeptos adversários

O domínio do 1º de Agosto nos jogos diante do Desportivo da Huíla, tanto em Luanda como no Lubango, tem sido explorado por adeptos e até dirigentes adversários para sustentar teses de favorecimento aos rubro e negros, muito na senda do que se dizia do Petro de Luanda, quando o Girabola teve várias equipas patrocinadas pela Sonangol, casos da Académica do Lobito, Petro do Huambo e Sonangol do Namibe.
Em 15 desafios no reduto dos militares da Região Sul, a equipa do Rio Seco ostenta o sólido registo de 8 vitórias, 6 empates e apenas 1 derrota, 21 golos marcados e 13 sofridos. Na condição de visitada, leva 13 triunfos e 2 empates, com 32 golos a favor e 2 contra.
Para as direcções, treinadores e adeptos dos dois clubes, o largo domínio resulta da supremacia dos plantéis dos rubro e negros, que têm emprestado os menos utilizados aos huilanos, já considerados satélites, apesar de possuírem estrutura autónoma.
O empate (0-0), na 5ª jornada do Girabola'2015, ano em que o Desportivo foi orientado por Ivo Traça, adjunto de Dragan Jovic, atrasou o 1º de Agosto na disputa com o Recreativo do Libolo, que conquistou o título ao totalizar os mesmos 60 pontos dos militares, mercê da vantagem no confronto directo.