Desporto

Descida do 1º de Maio liberta segunda volta

A Federação Angolana de Futebol (FAF), através do seu Conselho Jurisdicional, órgão presidido pelo advogado Sérgio Raimundo, julgou improcedente o recurso do 1º de Maio de Benguela, que esperava ver revogada a sentença de desclassificação ditada pelo Conselho de Disciplina (CD), dirigido por José Carlos, também advogado.

O veredicto a ser tornado público amanhã, em comunicado oficial, mantém o afastamento dos proletários, bem como a suspensão por um período de três épocas desportivas, nos termos do artigo 48º, números 1, 2 e 3 do regulamento do Girabola, que obriga o clube ao pagamento de uma multa de três milhões de kwanzas.
A formação benguelense, primeira fora de Luanda a conquistar o título da prova, em 1983, foi penalizada por faltar ao jogo frente ao Santa Rita de Cássia, na 15ª jornada, quando já estava sob aviso, dada a derrota administrativa aplicada pelo CD, na ronda inaugural, diante da Académica do Lobito, por incumprimentos contratuais.
Contactado há uma semana pelo Jornal de Angola, o presidente interino do 1º de Maio, António Moisés, revelou confiança na continuidade do clube no Girabola: “interpusemos recurso e já tivemos resposta. Enviámos as alegações, na sexta-feira. Agora vamos aguardar a decisão. Acreditamos que será favorável”.
Na condução dos destinos da colectividade depois da destituição, em finais de Dezembro, de Rui Araújo, dirigente histórico dos proletários, o até então primeiro vice-presidente, assegurou que estavam reunidas as condições para os proletários realizarem uma segunda volta melhor que a primeira.
“Temos o apoio de muitos empresários dispostos a investir”.
No final de semana, a equipa proletária orientada por António Coimbra, antigo jogador do clube, foi ao Huambo eliminar o Ferrovia, nos oitavos-de-final da Taça de Angola, com triunfo por 4-1. A sanção aplicada no campeonato não se estende à segunda prova do calendário futebolístico nacional, pelo que o 1º de Maio pode conquistar o título e representar o país nas Afrotaças.
O representante de Benguela no Girabola, a par da Académica e do estreante Williete, ocupava a última posição da tabela classificativa, com oito pontos, fruto de uma vitória, cinco empates, nove derrotas, sete golos marcados e 24 sofridos. A liderança pertence ao Petro de Luanda, 38, seguido pelo arqui-rival 1º de Agosto, menos um.
Além dos títulos do Girabola de 1983 e 1985, o clube que revelou as estrelas Sarmento, Nfuso Nkosi, Vicy, Zandu e Maluca, venceu a Taça de Angola em 1982, 1983 e 2007. Foi o primeiro representante angolano a disputar uma final continental, em 1994, na então Taça das Taças, diante do Bendel Insurance da Nigéria, na qual acabou superado com o agregado de 1-3, no somatório do triunfo (1-0), em casa, e derrota (0-3), fora.

Dirigente proletário aponta caminhos da má-fé
Ao reagir à decisão, António Moisés explicou ontem, à Rádio Cinco, as motivações do castigo. “Está muito bem especificado o caminho da má-fé. Quem é o presidente do Conselho de Disciplina? O senhor José Carlos, advogado. De que escritório? Sérgio Raimundo, presidente do Conselho Jurisdicional. Advogado. De quem? Nós sabemos. Aqui está tudo bem especificado que há má-fé. Tanto da parte do Conselho Jurisdicional, como do Conselho de Disciplina”.
O dirigente aceita a falta de comparência no jogo com a Académica, apesar da falha administrativa do Conselho de Disciplina.
“Os cartões não estavam em posse do Conselho Técnico, como diz a regra e o regulamento. Fomos a Luanda e encontrámos os cartões em posse do senhor José Carlos. Foi uma prova de que a Federação anda sob o poder de uma só pessoa. A Federação devia ter assumido este erro”, acusou.
Os proletários criaram expectativas num desfecho favorável: “ao recorrermos da segunda falta de comparência, tínhamos a esperança de que a situação poderia ser resolvida. Tínhamos uma luz verde no fundo do túnel de que o 1º de Maio poderia continuar no Girabola. Poderiam ter compensado. Houve vontade da nossa parte de jogar com o Santa Rita. Até chegámos a Luanda. Por razões alheias à nossa vontade, não chegámos ao Uíge. Não houve tolerância da parte da Federação. O Santa Rita queria jogar”.