Desporto

Renovação leva Pérolas a perder entre as melhores

Independentemente dos resultados que conseguir nos jogos diante da Roménia (hoje às 18h00) e Paraguai (amanhã às 14h00), a Selecção Nacional sénior feminina de andebol está relegada para a disputa da Taça Presidente, fase de consolação, onde competem  dois países de cada grupo que não conseguem transitar aos oitavos-de-final.


As derrotas diante da Espanha, França e Eslovénia ditaram a classificação das campeãs africanas, que devem, na melhor das hipóteses, ocupar o 5º posto na Série A, mesmo que somem vitórias nas duas últimas partidas, garantindo assim 4 pontos.        
Mesmo que percam hoje diante de Angola, as romenas têm a qualificação garantida, graças aos seis pontos somados nos 3 jogos disputados. França, Espanha e Eslovénia somam 4 pontos cada e, na hipotética possibilidade de não mais pontuarem, têm vantagem sobre Angola, pela vitória obtida.
Caso o critério de desempate seja a capacidade concretizadora das equipas, as campeãs africanas têm de conseguir vitórias dilatadas, para compensar o saldo negativo de 18 golos acumulado ao cabo das três primeiras jornadas.
Contas feitas, a Selecção Nacional apresentou-se muitos furos abaixo, comparativamente ao desempenho conseguido há um ano, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Diante de selecções de topo mundial, as Pérolas, comandadas por Filipe Cruz, venceram a Roménia, a 06 de Agosto do ano passado, por 23-19, após favoráveis 11-09 ao intervalo. Dois dias depois, foi a selecção de Montenegro que tombou às mãos das angolanas, por 27-25 (12-12 ao intervalo).
Numa competição muito equilibrada, Angola teve apenas um mau desempenho, no jogo frente à Noruega, com expressiva derrota, por 20-30 (09-16, ao cabo dos primeiros 30 minutos). Seguiram-se derrotas com o Brasil, então dirigido por Morten Soubak, por 24-28, e diante da Espanha por 22-26, no fecho da fase preliminar.
As duas vitórias permitiram ao sete nacional a histórica passagem aos quartos-de-final de uma grande competição da modalidade. Apesar de eliminadas pela Rússia (que se sagrou campeã olímpica), as Pérolas saíram da competição tal como tinham entrado: a discutir o resultado dos jogos.

Ciclo Olímpico
Angola chegou ao Campeonato do Mundo da Alemanha com o plantel mais jovem em competição (23,3 anos de idade), média só igualada pela Coreia do Sul, numa prova onde a selecção mais velha é a anfitriã, com 29,7 anos de média.  Para além de olhar muito mais à frente, em termos de futuro da Selecção, Soubak não pode contar com a melhor jogadora angolana dos últimos anos, Natália Bernardo.
         Fora das contas do técnico, por motivos pessoais, ficaram ainda as internacionais Wuta Dombaxe e Liliana Venâncio, que seguramente acrescentariam valor competitivo ao grupo.
A planificação, a contar com os Jogos de Tóquio 2020 como horizonte temporal, pode ter igualmente pesado nas escolhas finais do treinador. Torna-se inevitável apostar sobretudo em jogadoras disponíveis e interessadas em prosseguir a carreira desportiva a médio prazo.
Os níveis motivacionais das andebolistas devem chegar ao ponto de colocar a carreira desportiva no topo das suas prioridades, sob pena de nos contentarmos com meras vitórias morais. Este aspecto de suma importância é bastante relevante nas escolhas do técnico dinamarquês que, desde o início, tem apelado veemente às jogadoras para se reverem nesse compromisso.
Apesar dos resultados menos conseguidos, os indicadores são animadores. A espaços, Angola mostrou assinalável consistência defensiva, comparável aos melhores momentos das Pérolas de África. Nesse Mundial, o “sete” nacional conseguiu explorar, como nunca antes havia feito, as situações de ataque em vantagem numérica. A produtividade ofensiva, quase sem recurso ao contra-ataque, não ficou muito abaixo dos números conseguidos quando se apostou mais nesta área de jogo.
A redução do número de erros técnicos foi também um aspecto relevante. A média caiu de 18 para 12 falhas técnicas em cada partida. No essencial, ficaram patentes as ideias da equipa técnica, no sentido de melhorar o ataque posicional da Selecção e garantir a continuidade da coesão defensiva. Estas mudanças representam muitas horas de treino para, gradualmente, a Selecção atingir os níveis que todos pretendemos.