Economia

Acordo viabiliza obras do Terminal Oceânico

Um acordo para a conclusão das obras do Terminal Oceânico da Barra do Dande, Bengo, foi assinado ontem, em Luanda, entre a Sonangol e o skeik Ahmed Dalmook Al Maktoum, dos Emirados Árabes Unidos, com o que se espera um armazenamento de cerca de 641.500 metros cúbicos de derivados de petróleo.

Segundo o acordo, assinado entre o presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Sebastião Gaspar Martins, e o representante dos Emirados, as obras iniciam no primeiro semestre do próximo ano, devendo ficar concluídas em 2022, com um custo de cerca 600 milhões de dólares.

O valor é inferior aos cerca de 1,5 mil milhões do anterior projecto, iniciado pela Sonangol em 2014, mas paralisado dois anos depois, devido à crise económica e financeira.
Segundo o director do projecto, Mauro Graça, o terminal está executado em cerca de 20 por cento. A primeira fase do terminal terá 29 tanques para diversos derivados, que já estão semi-instalados.
O objectivo do acordo é a criação de uma “joint-venture” entre a Sonangol e novos parceiros, a qual será proprietária do terminal. “Será essa empresa que vai investir o valor remanescente, para concluir o projecto e depois dar continuidade à operação e gestão”, esclareceu, notando que o terreno onde está implantado o projecto está sob o “controlo total” da petrolífera nacional.
Mauro Graça explicou que os dados disponíveis são ainda preliminares, pois o objectivo é rever o projecto, ajustá-lo ao contexto actual e torná-lo sustentável, para que possa gerar receitas para o Estado e os accionistas.
A parceria é considerada de “grande relevância estratégica” para o país, no quadro da sustentabilidade energética nacional e corresponde ao esforço do Governo de procura de novos investidores internacionais.
Com a conclusão do terminal oceânico, prevêem - se ganhos, como a eliminação da descarga de combustíveis em barcos em alto mar, confere maior segurança e uma distribuição mais eficiente para o interior do país, considerou Mauro Graça.
O director do projecto referiu que o futuro terminal vai dar, igualmente, resposta à legislação vigente sobre a reserva estratégica para a segurança nacional e potenciar o país como um actor importante na região e não só, no negócio do armazenamento e exportação de combustíveis.
Com a construção das três refinarias em Angola, vai aumentar a capacidade de derivados do país, que “podem ser armazenados e exportados a partir do terminal para a região e outras partes do mundo”.
A segunda fase do projecto dependerá dos resultados dos estudos do mercado local e regional, mas Mauro Graça esclareceu que se prevê a sua expansão para até 1,7 milhões de metros cúbicos de derivados de petróleo.

Linha de montagem é instalada

Uma linha de montagem com capacidade para produzir cinco mil tractores por ano começa a ser instalada hoje, na Zona Económica Especial (ZEE) Luanda-Bengo, em Viana, no âmbito de um acordo rubricado ontem entre as autoridades angolanas e dos Emirados Árabes Unidos.
Nos próximos dias, os equipamentos para o apetrechamento da fábrica começam a chegar ao país, informou à comunicação social o ministro da Agricultura e Florestas, António Francisco Assis.
Pela parte angolana rubricaram o acordo o ministro da Agricultura e Florestas e o presidente do Conselho de Administração da Sociedade de Desenvolvimento da ZEE, António Henriques da Silva, enquanto o sheik Ahmed Dalmook Al Maktoum assinou pelos Emirados.
O ministro da Agricultura e Florestas declarou que a entrada em funcionamento da fábrica, um investimento totalmente privado, vai marcar o início do fim do período em que o país é ainda obrigado a aplicar milhões na importação de tractores.
“Por essa via, vamos conseguir baratear o preço dos tractores, que é exorbitante no nosso país”, considerou o ministro António Francisco Assis, revelando que “o preço de um tractor no país pode chegar, no mínimo, aos 50 mil dólares e deve ser pago na totalidade, à vista e sem possibilidade para pagamentos parcelares”.
Dada a seriedade do projecto, o ministro declarou que o Estado angolano vai continuar a criar as facilidades e o ambiente institucional para que as empresas internacionais possam investir e contribuir para o desenvolvimento do sector produtivo.