Economia

Aposta na diversificação pode aliviar crise económica

A necessidade da busca por vias de diversificação das economias por parte dos Governos africanos, com vista a responderem da melhor forma aos desafios do comércio internacional no período pós-Covid-19 foi o ponto de convergência dos prelectores na quinta conferência cíclica da Africa Sessions, que juntou sábado último, a partir das 17h00 (GMT+1-tempo de Londres), por intermédio da plataforma electrónica Zoom, técnicos de várias especialidade, a partir dos respectivos países de residência.


Sobre o tema “África após a Covid-19: Recursos Naturais e Desenvolvimento”, o certame foi marcado por alto grau de interacção entre os participantes que durante uma hora e meia afloraram questões atinentes às dificuldades que as Nações africanas atravessam, em consequência do impacto negativo da pandemia, numa altura em que os demais continentes também vivem momentos de contracção das respectivas economias, em virtude da parcial paralisação do mercado global.

Intervenções

A pesquisadora sénior do Fellow Chatham House, Glada Lahn, o professor do Instituto de Graduação de Geneva, Tim Swanson, o professor e presidente do Departamento de Estudos Globais e Assuntos Marítimos da California State University, Assis Malaquias, o docente do Graduate Institute de Geneva, Filipe Galvão, o conferencista (professor) de corporação financeira da Universidade Católica de Angola, Salim Valimamad e o jornalista do Jornal Expansão Joel Costa, na qualidade de prelectores dos seis painéis, foram unânimes em dizer que o fim da pandemia da Covid-19 trará um novo paradigma para a economia mundial, um cenário que exige a implementação urgente de medidas políticas para mitigar o efeito das mudanças que se vislumbram.

Mercado mais fluído

Os interlocutores defenderam a necessidade de um intercâmbio mais fluido de bens e serviços dentro do continente, o que passa pelo reforço dos processos de integração regional como uma das premissas para que o mercado absorva bens económicos e haja intercâmbio de experiência para a qualificação da mão-de-obra, sem perder de vista as oportunidades que os outros mercados oferecem, quer em termos de Investimento Directo Estrangeiro, quer no que toca às fontes de financiamento com modalidades mais atractivas, assim como a negociação de uma forma mais desafogada para liquidação das dívidas contraídas.

Energias limpas

De acordo com Assis Malaquias, países como a Nigéria e Angola, cujas economias dependem cerca de 70 por cento das exportações de petróleo bruto, devem ter em atenção as tendências para o desenvolvimento de energias limpas, de modo a contornar os danos ambientais provocados pelo aquecimento global e a procura por uma dependência cada vez menor que os países procuram desta importante “commodity”.
O académico lamentou o facto destes dois países não terem aproveitado os elevados recursos financeiros que o sector petrolífero proporcionou durante vários anos para potenciar outros segmentos e, em função disso, elevar o índice e a qualidade de vida das populações tendo apenas beneficiado um pequeno estrato da respectivas sociedades devido às más práticas de gestão, razão pela qual apresenta algumas reticências quanto a capacidade de lidar com o novo normal, muito embora reconheça que os actuais Governos esteja a dar sinais de que estão, de facto, comprometidos em inverter o quadro sombrio que herdaram.

“A pandemia da Covid-19 veio para alterar, de forma significativa, o sistema financeiro internacional, com impacto directo na economia mundial, já que ela originou, tendo desencadeado um processo de revolução a nível das tecnologias. Isto é próprio das crises, pois elas geram sempre desenvolvimento”, disse para acrescentar que os países africanos devem ter presente a ideia que a sua sobrevivência está intrínseca à estratégia de diversificação da produção interna e matérias para o intercâmbio. Neste particular, disse, a Nigéria e Angola, cuja dependência nas exportações de petróleo tem um peso significativo no Produto Interno Bruto, devem procurar fazer um esforço redobrado que se traduza na melhoria das respectivas balanças comerciais.

Centenas de participantes apresentaram um leque de sugestões diversificadas que apontam para a resolução dos problemas mais cadentes dos respectivos países de origem, num exercício pautado pela urbanidade que permitiu a organização fazer a avaliação de uma sessão muito profícua, com ilações positivas sobre o interesse comum em ver um continente, a breve trecho, livre dos constrangimentos da Covid-19 e com uma economia cada vez mais integrada.