Economia

Famílias colhem 17,5 milhões de toneladas de alimentos

Os produtores familiares colherem, na campanha agrícola 2018/2019, um total de 17 milhões e quinhentas mil toneladas de alimentos diversos, segundo apurou o Jornal de Angola do presidente da Confederação das Associações de Camponeses e Cooperativas Agro-pecuárias de Angola (UNACA).

Albano da Silva Lussati disse que, por sua vez, os empresários agrícolas, mesmo tendo acesso aos meios tecnológicos e financeiros, produziram apenas 14 milhões e quinhentas mil toneladas, abaixo da safra colhida pelas famílias camponesas.

Contudo, o presidente da Unaca está convicto de que Angola pode, a curto prazo, atingir a auto-suficiência alimentar e os camponeses podem transformar-se em investidores caso os processos de preparação de terras tenham um concurso de tractores e recebam aditivos dos pacotes tecnológicos, traduzidos na correcção dos solos ácidos, fácil acesso às sementes, fertilizantes, material de propagação vegetativa para eliminação de pragas e insectos predadores das culturas, além de kits de rega para uma agricultura ininterrupta, ao contrário da actual que depende da sazonalidade das chuvas.
"As famílias angolanas produtoras já conseguem colher oito toneladas por cada hectare semeado, faltando-lhes apenas dois dígitos para que atinjam as 10 toneladas de alimentos, que constitui os indicadores internacionais", disse.
Albano Lussati manifestou-se, contudo, preocupado pelo facto de a distribuição dos tractores e máquinas agrícolas, de iniciativa do Ministério da Agricultura e Florestas, não terem contemplado as oito mil e 508 associações dos camponeses, em detrimento dos empresários do sector agrário.
Entre as dificuldades que vivem, Albano da Silva Lussati apontou as ligadas à preparação das terras e a descapitalização quase generalizada das famílias produtoras rurais, estando também na origem da pouca produtividade no recém-terminado ano agrícola, que só atingiu 92 por cento do total da área semeada de cereais (milho, arroz, trigo, massango e massambala), 78 por cento em raízes e tubérculos (mandioca, batatas doce e rena) e 96 por cento de leguminosas (feijão e amendoim).
Por essa razão, entende também que o desenvolvimento da agricultura em Angola se assume como um indicador decisivo para a estabilização das famílias no meio rural e pode contribuir para promover o emprego no seio da juventude, combater a fome, reduzir a pobreza, por ser a base de uma estrutura primária na cadeia do programa aprovado pelo Governo com vista à diversificação da economia nacional.
Lembra ainda que a Unaca recebia, até 2013, quase duzentos milhões de kwanzas/ano em subsídios fornecidos pelo Ministério da Agricultura e Florestas para desenvolver a sua actividade a nível nacional e augura, mesmo em fase de restrições e reajustes operacionais, que a actual direcção do mesmo departamento ministerial tenha em linha de prioridade a aposta no sector familiar, pois aí, segundo reafirma, “reside a chave para o sucesso da auto-suficiência alimentar em Angola”.

Indicadores do IDA

Dados oficiais do Instituto do Desenvolvimento Agrário (IDA), a que o JA teve acesso, apontam terem sido produzidos na totalidade em Angola, nas explorações agrícolas familiares e empresariais, vinte e dois milhões de toneladas de café, cereais (milho, arroz, trigo, massango e massambala), frutas, hortícolas, leguminosas (feijão, girassol e soja), raízes e tubérculos.
No caso particular da mandioca, de que o país já é auto-suficiente, foi colhido um máximo de nove milhões e 432 toneladas, enquanto as batatas doce e rena estimaram-se em um milhão, 680 mil e 146 toneladas para a doce, e 455 mil toneladas para a rena, numa área semeada avaliada em cinco milhões, 671 mil e 261 hectares de terreno fértil.
Fontes do “IDA”, contactadas pelo Jornal de Angola, afirmaram ter sido investido no pretérito ano agrícola, com o concurso dos programas Mosap do Banco Mundial, cinco biliões, 699 milhões, 533 mil e oitenta kwanzas (perto de 12 milhões de dólares), para que 110 famílias camponesas se beneficiassem dos pacotes tecnológicos, num universo global de dois milhões, 846 mil e 912. O referido apoio financeiro foi dado em meios e insumos agrícolas traduzidos em 46 mil e 361 toneladas de fertilizantes, 51 mil e 177 toneladas de correctivos agrícolas, seis milhões e 845 mil de sementes, cinco milhões de unidades de material de propagação vegetativa, 61 mil e 418 charruas de tracção animal e quinhentas unidades de pulverizadores de dorso.