Economia

Reformas levam agência a manter a nota de Angola

O analista da Standard & Poor’s (S&P) responsável pela avaliação do rating de Angola declarou terça-feira, quando a agência de classificação de risco manteve a nota de Angola em “B-”, que o “impressionante” programa de reformas aplicado pelo Governo equilibrou a avaliação negativa sobre a dívida.


“As métricas da dívida de Angola pioraram, em parte devido à forte queda no mercado cambial recentemente liberalizado”, vincou o analista que lidera a equipa que analisa Angola, Ravi Bathia.
Em declarações prestadas à Lusa para comentar a decisão da S&P de piorar a perspectiva de evolução de Angola para negativa e de manter o rating no nível “B”, acrescentou que a avaliação é compensada “por um impressionante programa de reformas económicas e por prudência orçamental”.
No relatório que acompanha a avaliação, a S&P estima que o PIB se tenha contraído 1,1 por cento em 2019, “em parte devido ao declínio da produção petrolífera, depois de já ter recuado 1,2 em 2018, 0,1 em 2017 e 2,6 em 2016”.
O crescimento “deve regressar em 2020, mas a perspectiva de evolução da economia continuará desafiante e pesará nas finanças públicas”, alertam os analistas.
Apesar das dificuldades, a economia de Angola deverá registar melhoras, com a agência à espera que “as reformas macroeconómicas do Governo, apoiadas pelo programa do FMI, melhorem e alarguem a capacidade económica do país, o que deverá ajudar a conter os défices orçamentais e estabilizar os níveis de reservas em moeda externa nos próximos anos”.
“Esperamos que a acumulação de dívida desça até ao final de 2023, assumindo que o Governo mantém os compromissos de consolidação orçamental num contexto de uma depreciação mais lenta do kwanza”, lê-se na nota que coloca a dívida nos 92 por cento em 2023 e estima que o custo dos pagamentos represente “27,8 por cento da receita, em média, entre 2020 e 2023”.

Início da retoma
A nível macroeconómico, a S&P espera que Angola regresse ao crescimento já este ano, com uma expansão de 1,00 por cento do PIB, depois de no ano passado ter visto novamente a riqueza contrair-se em 1,1 por cento.
Para 2021 é prevista uma aceleração para os 1,5 por cento, e depois 2,5 por cento no ano seguinte e 2,8 em 2023, bem abaixo dos 4,8 por cento registados em 2014, ano em que a descida do preço do petróleo fez a economia de Angola abrandar, primeiro, e recuar, depois.
A taxa de desemprego ficará nos 35 por cento até ao final de 2023 e a de crescimento per capita, que mede a riqueza distribuída por cada habitante, será sempre negativa até 2023, significando que o crescimento da economia não chegará para melhorar a vida de todos os angolanos.