Economia

Sonangol diminui investimentos e custos para manter fluxos de caixa

A Sonangol cortou os investimentos em 40 por cento e os custos operacionais em 30, como parte do plano para lidar com a situação gerada pela pandemia da Covid-19, que causou a queda da procura e dos preços do petróleo no mercado internacional, anunciou o presidente do Conselho de Administração.

Sebastião Gaspar Martins, que referiu estes cortes na última CERAWeek, uma conferência anual de energia organizada pela empresa internacional de consultoria IHS Markit, este ano realizada em formato digital, acrescentou que a Sonangol está a rever a carteira de negócios para detectar custos operacionais com elevado peso nos activos, a fim de os reduzir para um nível que permita continuar com fluxos de caixa positivos: “o dinheiro é essencial para nós durante esta situação de pandemia”, afirmou, para ilustrar a situação.

O presidente do Conselho de Administração da Sonangol reafirmou o ano de 2022 como o da Oferta Pública Inicial (IPO, sigla em inglês) que envolve a abertura do capital da companhia em até 30 por cento: “vamos esperar e ver, mas acreditamos que 2022 é um bom momento”, apontou, explicando que a abertura é parte do Programa de Reestruturação, o qual prepara a petrolífera para ser encarada como uma “fonte de lucro por qualquer investidor”.

De acordo com a fonte, o abandono das funções de concessionário foi “uma transição tranquila”, havendo melhorias a nível do processo de aprovação introduzido pelo novo regulador, bem como no diálogo com os operadores, o que torna satisfeitos a Sonangol e as companhias petrolíferas internacionais (IOC, sigla inglesa) que operam no mercado angolano.

“Sentimos que a Sonangol trata a parceria com as IOC de uma forma mais profissional e orientada para os negócios e sentimos que desempenharemos um papel muito importante como parceiros nessas rondas de licitações”, afirmou o presidente do Conselho de Administração, notando que, recentemente, a companhia concluiu contratos de compra e venda em dois blocos do offshore em águas profundas na Bacia do Kwanza, além de ter sido apresentada em três blocos do offshore muito importantes com uma IOC muito crucial na Bacia do Namibe, nos blocos 30, 44 e 45.

Num outro momento, revelou à conferência o início de acções tendentes a conformar a Sonangol com a necessidade de diversificação imposta pelas mudanças climáticas, indicando a introdução de uma unidade de negócio dedicada às energias renováveis no quadro do Programa de Reestruturação, com o que ocorre a iniciativa da construção de uma central de produção de 50 megawatts (MW) no Namibe e outra de 35 MW em que o parceiro é a congénere francesa Total.

As mudanças climáticas, sublinhou, “estão a afectar Angola e claro que a Sonangol não seria indiferente: vemos muito projectos de baixas emissões de carbono a serem recomendados. Estamos preparados para isso na nossa nova organização”, afirmou o responsável para sublinhar que a companhia está a receber propostas para biocombustíveis.

O responsável prevê que a unidade de negócio dedicada às energias renováveis tenha “um papel muito importante no futuro, movendo-se em direcção à ideia de prestar atenção às mudanças climáticas com baixas emissões de gás carbono”.

Sebastião Gaspar Martins declarou, indagado, que a Refinaria de Cabinda, com a sua capacidade de processamento de 60 mil barris de petróleo por dia e a conclusão prevista para o primeiro trimestre de 2022, vai suprir principalmente “as necessidades internas, mas também visando a área regional como os países que temos como vizinhos”, além de representar uma “oportunidade de emprego para muitas pessoas”.

A CERAWeek deste ano, na qual Sebastião Gaspar Martins participou ao lado do presidente do Conselho de Administração da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), Paulino Jerónimo, teve como designação “Conversation Angola”, no quadro do modelo digital encontrado em tempos de pandemia para os encontros frequentados por líderes das maiores companhias petrolíferas internacionais.