Política

Igrejas chamadas a combater a corrupção

Líderes religiosos e alguns membros da sociedade civil foram ontem à Cidade Alta manifestar ao Presidente da República o seu apoio nas áreas da educação e saúde, além de trabalhar no combate à corrupção.


D. Filomeno Vieira Dias, arcebispo de Luanda e presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), bispo Gaspar João Domingos, da Igreja Metodista Unida, e bispo Afonso Nunes, da Igreja Tocoista, foram ontem recebidos em audiências separadas pelo Presidente da República, João Lourenço.
A participação da Igreja na moralização da sociedade e no apoio a programas sociais, como a educação e a saúde, foram os principais aspectos abordados durante o encontro, que serviu também, segundo D. Filomeno Vieira Dias, para felicitar o Chefe de Estado, pela sua ascensão ao poder. O prelado católico disse que não foi preciso  abordar o momento político actual, pois, no seu entender, “respira-se um ar fresco”.
“Fazemos votos que continuemos a viver este bom clima, esta boa atmosfera política que cria condições para que o social também se articule, harmonize e se estabilize em benefício de todos”, disse D. Filomeno Vieira Dias.
O bispo Gaspar João Domingos, também, elogiou o espírito de abertura ao diálogo e lembrou que o Presidente João Lourenço quer a Igreja virada para a evangelização e a participar mais na educação, como foi nos tempos das missões antes espalhadas pelo país e que muito contribuíram para retirar milhares de angolanos do analfabetismo.
O Presidente da República, segundo o bispo Gaspar João Domingos, também entende que com o empenho da Igreja é possível desencorajar a corrupção. O líder da Igreja Metodista lembrou também a aposta na saúde. “Temos alguns postos de saúde que são chamados a intervir pelo país”, disse o bispo.  
Quem também manifestou disponibilidade em apoiar o trabalho do Executivo liderado pelo Presidente João Lourenço foi o líder da Igreja do Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo (Tocoista). O bispo Afonso Nunes destacou, igualmente, a necessidade de a transição política iniciada com a saída da governação do Presidente José Eduardo dos Santos e a ascensão do actual Chefe de Estado continuar a proceder-se de forma pacífica e harmoniosa, para o bem do país e dos angolanos.
D. Afonso Nunes ofereceu-se para aconselhar sempre no que for necessário, para que Angola continue neste ”caminho de paz, alegria e na busca dos pressupostos para o desenvolvimento”. Na sua responsabilidade social, a Igreja Tocoista falou igualmente de uma parceria que pretende estabelecer com o Estado para facilitar a inserção de jovens nas instituições de ensino superior sob responsabilidade da Igreja Tocoista. “Queremos, num futuro breve, retomar esta parceria, uma vez que há muitos jovens que terminam o Ensino Médio e não conseguem entrar para a Universidade por dificuldades financeiras”, disse o bispo Afonso Nunes, que pediu, igualmente, ao Presidente da República, esclarecimentos sobre a forma como vai ser implementada a futura Lei sobre repatriamento de capitais e encorajou o Chefe de Estado a prosseguir no caminho de moralização da sociedade, combatendo todos os males que entravam o desenvolvimento do país, sem deixar de ouvir sempre as outras forças vivas da sociedade.
Ainda ontem, o Presidente da República recebeu, do líder do Conselho Provincial da juventude, Isaías Kalunga, um memorando em que espelha os problemas dos jovens da capital do país. Em declarações aos jornalistas, Isaías Kalunga afirmou que as dificuldades apresentadas são as mesmas identificadas durante a auscultação feita aos jovens, em 2013, com destaque para a falta de emprego e acesso ao ensino.
  
Colégio de anciãos
O Presidente da República recebeu igualmente os membros do Colégio de Anciãos, integrado por personalidades como o antigo Primeiro-Ministro França Van-Dúnem, os antigos ministros dos Petróleos, Albina Assis e Desidério Costa, Adriano dos Santos, que já foi ministro do Comércio, Mama Kuiba, Zé Cambuta, entre outros.
O grupo colocou-se à disposição do Presidente da República para o aconselhar sobre qualquer assunto e elogiou, igualmente, o espírito de abertura encontrado. “Manifestamos a nossa solidariedade ao novo Governo” disse França Van-Dúnem, que foi o porta-voz do grupo.   

  Governação aberta com a participação de todos

Quando tomou posse, o Presidente João Lourenço prometeu que o seu mandato seria marcado pelo esforço de valorização do cidadão e por uma governação aberta, inclusiva e participativa e disse contar com o concurso das organizações da sociedade civil, das igrejas e de todos os patriotas de boa vontade comprometidos com a Nação acima de quaisquer outros interesses.
Dias depois, num seminário organizado pelo grupo parlamentar do MPLA, prometeu realizar “uma verdadeira cruzada de luta contra a corrupção, o nepotismo, o compadrio em todas as esferas da sociedade e a todos os níveis até o país poder declarar-se livre destes males, a “exemplo de quando se declara livre de uma epidemia que a todos ameaça, porque a semelhança e comparação desses dois factos nos parece adequada”.
“Estes males serão combatidos se contarmos com a participação de todos na moralização da nossa sociedade”, disse o Presidente da República, para acrescentar: “contamos com todos os partidos políticos, as Igrejas, as Organizações Não-Governamentais, as associações sócio-profissionais, as organizações juvenis e femininas e as universidades na promoção de programas de educação com relação a necessidade do respeito e da preservação do bem público por todos os cidadãos”.