Política

Solicitados helicópteros para levar ajuda alimentar

O governador do Cuando Cubango, Pedro Mutindi, anunciou ontem, na cidade de Menongue, ter solicitado apoio da Força Área Nacional (FAN) para disponibilizar quatro helicópteros do tipo MI-17 ou MI-8, no sentido de fazer chegar a ajuda alimentar às comunidades que vivem isoladas nos municípios de Rivungo, Mavinga, Nancova, Dirico, Cuangar, Calai e Cuito Cuanavale.

Pedro Mutindi salientou que devido à dificuldade na transportação dos bens alimentares em viaturas, por falta de vias de acesso, o Governo local faz chegar as mercadorias à sede do município, de onde as autoridades tradicionais das zonas recônditas afectadas pela seca começam um complicado processo de transportação dos bens alimentares, com carroças puxadas por bois ou burros, mas em pequenas quantidades.

“Achamos que esta situação não é abonatória para quem já está fragilizado por causa da fome, razão pela qual o Governo da província dirigiu uma solicitação à FAN para enviar os helicópteros, o mais breve possível, para que as centenas de toneladas de bens alimentares doadas possam chegar ao seu destino com segurança”, disse Pedro Mutindi.
Segundo o governador do Cuando Cubango, em toda a região leste e sul da província não existem estradas. “Temos apenas algumas picadas, que são frequentadas por verdadeiros heróis, que, com as suas viaturas de marca Ural, Kraz ou Camaz, herdadas das extintas FAPLA, perdem-se mata adentro e no meio de um areal volumoso levam semanas para chegar ao destino”.
A onda de solidariedade vinda de milhares de angolanos, acrescentou, é bastante comovente e gratificante, mas confrontamo-nos com o estado avançado de degradação das vias de acesso aos municípios do interior da província, onde cerca de 350 mil pessoas aguardam por esta ajuda e que tarda a chegar.

Apoio de empresário

Na passada terça-feira, Pedro Mutindi recebeu do empresário Francisco Chicote nove toneladas de bens alimentares diversos, entre outros apoios vindos do Governo Central e da sociedade civil, que continuam nos armazéns por falta de meios de transporte para os fazer chegar aos destinatários. O governador realçou que até agora apenas 40 por cento dos cerca de 350 mil afectados pela seca receberam ajuda alimentar, estando o Governo da província a sentir inúmeras dificuldades para fazer chegar alimentos às populações das localidades de Licua, Luiana, Neriquinha, Chipundo, Olupale, Rito, Nancova, só para citar algumas das muitas localidades de difícil acesso. “Urge a necessidade de criarmos condições de transportação de bens alimentares com meios aéreos da Força Aérea Nacional, para acudir todas as famílias que foram afectadas pela seca severa a nível da província do Cuando Cubango”, defendeu.
Pedro Mutindi referiu que nas localidades de fácil acesso o Governo da província tem estado a contar com o apoio dos camiões das Forças Armadas Angolanas (FAA) e da Polícia Nacional, para a transportação de bens alimentares da cidade de Menongue para as sedes municipais do Cuito Cuanavale, Cuchi, Cuangar, Calai, Nancova, Mavinga e Dirico.
O Jornal de Angola apurou que até ao momento o Gabinete Provincial da Acção Social, Família e Promoção da Mulher já recebeu mais de 280 toneladas de bens de primeira necessidade, entregues pelo ministério de tutela, Casa de Segurança do Presidente da República, Rádio Nacional de Angola e pelo empresário Francisco Chicote.

Exemplo a seguir

O governador Pedro Mutindi felicitou o empresário Francisco Chicote, tendo em conta que tem estado a mostrar a sua solidariedade para com as pessoas vulneráveis a nível do país, com destaque para as pessoas afectadas pela seca, tendo entregue já donativos nas províncias de Luanda, Cunene, Huíla e Cuando Cubango.
Sublinhou que dos 99 mil militantes que o MPLA controla no município de Menongue, se a maioria seguisse o exemplo de Francisco Chicote, a província já teria mitigado uma boa parte da falta de alimentos às famílias atingidas pela estiagem, sobretudo aquelas que vivem nos municípios da orla fronteiriça com a Namíbia e a Zâmbia, nomeadamente o Cuangar, Calai, Dirico e Rivungo, onde a situação é bastante crítica.