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Terra para os camponeses

O Governo vai retirar as terras cedidas e que não estejam a ser exploradas. O anúncio foi feito ontem no município do Cachiungo, província do Huambo, pelo Presidente da República, João Lourenço, que avançou igualmente a atribuição de títulos de propriedade às famílias que queiram produzir.

“Temos um problema: as famílias não são detentoras das terras. Este é um trabalho que vamos realizar no sentido de cadastrar as terras dos camponeses e conseguirmos os títulos de propriedade para que cada um possa dizer: esta é a minha terra”, disse, o Presidente da República na abertura do ano agrícola 2017-2018, que tem o lema “Agricultura na vanguarda da diversificação e da estabilidade económica”.
Na sua primeira deslocação ao interior do país como Presidente da República, João Lourenço testemunhou, em Cachiungo, a preparação de terras, aplicação de calcário, lançamento da semente de milho e a plantação de uma árvore fruteira.
Entre os meios distribuídos, constam ainda 154.851 toneladas de adubo, 34.450 enxadas europeias, 21.768 catanas, 20 mil limas, 50 mil charruas de tracção animal e 204 carroças de tracção animal às comunidades para agricultura familiar, além de vacinas para gado e aves.
Para este ano agrícola estão preparadas e equipadas 15 brigadas de mecanização devidamente equipadas que vão orientar as famílias camponesas no novo quadro de produção agrícola. Quanto à correcção de solos, foram trabalhados dez mil hectares de terra no Huambo, Bié, Huíla, Benguela e Cuanza-Sul.

Aumentar a produção

Ontem, o Presidente da República falou na necessidade de se aumentar a produção de cereais por entender que constituem a base da nossa alimentação, mas também dos animais, que por sua vez, são também alimentos para o homem.
Perante uma imensa população saída dos 11 municípios do Huambo, o Chefe de Estado explicou a razão da sua visita ao Cachiungo. “O que vim fazer ao Huambo mais concretamente ao município do Cachiungo é dizer que é chegada a hora de semear, porque para colher temos de semear. Só colhe quem semeia e nós semeamos no início da época das chuvas”, disse, para deixar um apelo: “Todos temos de ir para o campo, arregaçar as mangas e produzir comida”.
 “Podemos importar tudo o resto, como aviões, navios, comboios, porque não temos mesmo capacidade de produzir estas coisas, mas temos capacidade de produzir comida”, disse João Lourenço que acrescentou: “Se temos capacidade de produzir comida não podemos importar comida”.

Diversificação
O Chefe de Estado realçou o papel da agricultura na diversificação da economia e disse que só se vai sentir satisfeito se além do petróleo, o país for capaz de desenvolver a agropecuária. João Lourenço pediu ainda aposta séria na produção do milho, da soja, feijão e de outros grãos essenciais na dieta alimentar, além de fazer com que as províncias menos desenvolvidas na agropecuária venham a ser também potências agrícolas.
“A experiência demonstra que é errado pensar que o milho só dá no centro e no sul do país e a mandioca no norte e leste do país. Isso é falso. Podemos produzir milho em qualquer ponto do país”,  disse Presidente da República. Num discurso de perto de uma hora, o Presidente da República fez alusão à música de Dom Caetano “A minha terra tem tudo, o meu chão dá tudo”, referindo que tal encerra um significado muito profundo, o que remete à necessidade de mais e melhor trabalho para da terra se tirar maior rendimento por hectare”.
João Lourenço insistiu que têm de ser os angolanos a produzir alimentos para si mesmos e para exportar e assim ganhar dinheiro, pois “não é só o petróleo, diamantes e ouro que dão divisas, mas a comida também se vende bem em outras partes do mundo”.  O Presidente lembrou que nos últimos seis meses andou o país, o que permitiu constatar que o povo angolano já produz bastante bens alimentares. \"Queremos produzir muito mais. O que estamos a produzir ainda não cria excedentes”, disse. O ministro da Agricultura, Marcos Nhunga, realçou o empenho pessoal do Presidente da República sobre o desenvolvimento agrícola do país, principalmente pela mobilização de meios para o ano agrícola.
“Deixamos o compromisso de tudo fazer para que a agricultura seja a vanguarda da diversificação e a estabilidade da economia angolana”, disse Marcos Nhunga.

Produção de equipamentos

A indústria nacional deve acompanhar o passo da agricultura e atrair para o país investidores importantes capazes de montar fábricas de adubos e fertilizantes, charruas e tractores, alfaias agrícolas, grades e de sistemas de irrigação.
O Presidente da República considera fundamental que, ao invés de o país ter de comprar por via de importação, é preciso que os investidores venham montar as fábricas de vacinas para o gado de todo o tipo, incluindo para as aves no país.
 “Este desafio é por um lado para o sector da indústria, e por outro, directamente aos investidores estrangeiros”, disse, sublinhando: “o dia que conseguirmos produzir na nossa terra as sementes de que necessitamos e as mudas para árvores de frutas de que necessitamos, as vacinas, charruas e enxadas, tractores e sistemas de rega, aí vamos ter agricultura a sério, porque o resto temos aqui, que é o homem”.
João Lourenço sublinhou que num futuro breve o país não deve continuar a comprar estes bens, pois pretende-se que os investidores venham montar as suas fábricas de adubos, fertilizantes, charruas e tractores, alfaias agrícolas, grades e de sistemas de irrigação no país. “Que venham montar aqui as fábricas de vacinas para o gado de tofo o tipo, incluindo para as aves. Por lado ao sector da indústria, e por outro directamente aos investidores estrangeiros”.
O Presidente lembrou que durante os últimos seis meses andou o país, o que permitiu constatar que o povo angolano já produz bastante bens alimentares, mas “mesmo assim não estamos satisfeitos. Queremos produzir muito mais. O que estamos a produzir ainda não cria excedentes”.
Para o Chefe de Estado o país deve atingir o ponto de saturação, que se vai traduzir na disponibilidade de comida a mais até chegar a um nível de exportação.

 Os números da campanha agrícola 2017/2018

Para o presente
ano agrícola, foram preparados 5.199.720 hectares de terras em todo o país para colher mais de 2,5 milhões de toneladas de cereais, 11 milhões em raízes e tubérculos e 650 toneladas de leguminosas, seis milhões de toneladas em frutas tropicais, dois milhões de toneladas em hortícolas, além de 27 mil toneladas de café, palmares e cacau. 
O objectivo é de que no ano comercial 2018/2019 haja disponibilidade de 3.342.856 toneladas de cereais, o que  representará uma melhoria significativa na disponibilidade e acesso aos alimentos de produção nacional. Ao mesmo tempo, mantém-se uma tendência da produção de excedentes de raízes e tubérculos, banana e ovos, além de melhorias significativas na produção nacional de carnes e leite.
O Executivo distribuiu, igualmente para o ano agrícola 2017/2018,  alguns factores de produção aos agricultores familiares, com realce para as sementes.
No total, foram distribuídos 2.198 toneladas de milho, 201 toneladas de massango e 211,7 toneladas de massambala. Quanto às leguminosas e oleaginosas, estão a ser distribuídas 200 toneladas de semente de feijão, 93 toneladas de soja e 30 de toneladas de algodão. Entre os meios distribuídos, constam ainda 154.851 toneladas de adubo, 34.450 enxadas europeias, 21.768 catanas, 20 mil limas, 50 mil charruas de tracção animal e 204 carroças de tracção animal às comunidades para agricultura familiar, além de vacinas para gado e aves.
Para este ano agrícola estão preparadas e equipadas 15 brigadas de mecanização devidamente equipadas que vão orientar as famílias camponesas no novo quadro de produção agrícola. Quanto à correcção de solos, foram trabalhados dez mil hectares de terra no Huambo, Bié, Huíla, Benguela e Cuanza-Sul.