Política

Unidades hospitalares de referência vão atender a região Leste do país

O Presidente da República, João Lourenço, afirmou, ontem, em Saurimo, que só é possível pensar no desenvolvimento económico e social do país se os cidadãos gozarem de boa saúde.

João Lourenço fez esta afirmação à imprensa, no final da cerimónia de inauguração da Maternidade e do Hospital Geral de Saurimo.

O Titular do Poder Executivo ressaltou que as duas unidades hospitalares, cada uma com 150 camas e capacidade de atendimento diário de mais de 200 pessoas, vão ser uma mais-valia para a região Leste do país, que compreende as províncias da Lunda-Norte e Lunda-Sul e Moxico.

“Nós queremos cidadãos saudáveis, porque só com cidadãos saudáveis é que podemos pensar no desenvolvimento económico e social do nosso país”, frisou.

O Chefe de Estado descartou qualquer possibilidade dos novos hospitais virem a degradar-se porque a manutenção foi acautelada. “Não basta construir, precisamos de manter as infra-estruturas e, para mantê-las, é preciso um orçamento. E nós vamos cuidar disso”, garantiu o Presidente, para quem é importante que existam valores para este desiderato.

João Lourenço pediu à população e aos profissionais de saúde para cuidarem bem dos dois hospitais que acabaram de ganhar, de modo a durar por mais tempo.

As duas unidades hospitalares são as primeiras de referência na Lunda-Sul, desde o alcance da Independência Nacional, há 45 anos. Convidado a fazer um comentário sobre esta realidade, o Titular do Poder Executivo disse que, apesar de tarde, o mais importante é que o estabelecimentos, agora, existem.

Disse ser, igualmente, importante reconhecer que, não obstante a crise financeira e a pandemia da Covid-19, muito tem sido feito no sentido de melhorar as condições sociais das populações.

Em relação à situação social da província da Lunda-Sul, o Presidente da República esclareceu que não difere muito dos problemas do resto do país que, adiantou, estão a ser resolvidos paulatinamente.

“Perguntar-se-á se está tudo feito. É evidente que não! Há muito por fazer. Vamos continuar a trabalhar e a lutar, de forma incessante, no sentido de procurarmos minorar, cada vez mais, as dificuldades por que o povo angolano passa”, acentuou.

João Lourenço realçou que a visita à província da Lunda-Sul serviu para inaugurar os dois hospitais, mas, à última hora, entendeu visitar, também, as obras do Pólo de Desenvolvimento Diamantífero, para inteirar-se do seu andamento.

O Chefe de Estado ressaltou que o projecto, ao qual se referiu no discurso sobre o Estado da Nação, é de grande importância para a província, a julgar pelo número de postos de trabalho que vai gerar. “Entendi que, mesmo não estando concluído, deveria visitá-lo”, afirmou João Lourenço, que regressou, ontem, a Luanda.

O Presidente informou que voltará àquela província do Leste, dentro de, sensivelmente, seis a sete meses, para inaugurar o referido projecto.

Com as duas novas unidades de cuidados médicos de referência, os habitantes da província da Lunda-Sul vão deixar de recorrer a outras do país e da República Democrática do Congo (RDC) à procura de serviços de saúde.

O antigo Hospital Geral, com capacidade para 120 camas, e a Maternidade, com apenas 20, destinavam-se a toda a província, com cerca de 609 mil e 851 habitantes, segundo as projecções de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística.

O único Bloco Operatório existente servia para atender, as cirurgias do Hospital Provincial, e da Maternidade. Em termos de serviços disponíveis nas novas unidades hospitalares, destacam-se a imagiologia, TAC, que não havia na província há dois anos, cirurgia, ortopedia e fisioterapia, considerado um dos grandes ganhos do sistema de saúde local.

lém do serviço de mamografia, a província vai dispor, pela primeira vez, de ecógrafos avançados para a realização dos ecocardiogramas.


Ministra realça comprometimento do Executivo

A inauguração de duas unidades sanitárias na província da Lunda-Sul, nomeadamente o Hospital Geral e a Maternidade provincial, mostram o comprometimento do Executivo em melhorar o sistema de saúde.

A afirmação foi feita, ontem, em Saurimo, pela ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, após a inauguração das duas unidades sanitárias, pelo Presidente João Lourenço.

Segundo a governante, o Executivo tem traçado políticas que visam melhorar o sistema de saúde em todo país, factor importante para o desenvolvimento socio-económico das províncias e municípios.

Afirmou ser pretensão do Ministério promover a qualidade de cuidados médicos e medicamentoso, investir na capacitação de recursos humanos, para a preservação plena da saúde nacional. Sílvia Lutucuta sublinhou que o Serviço Nacional de Saúde afirma-se, hoje, nas modernas linhas de estratégias de redução das doenças, sobretudo no apelo a de hábitos de vida saudáveis, participação das comunidades e outros sectores, para se poder manter uma abordagem cada vez mais assertiva.

FINANCIAMENTO DA CHINA
Hospital e Maternidade custaram USD 68 milhões

O novo Hospital Geral e a nova Maternidade de Saurimo, província da Lunda-Sul, inaugurados, ontem, pelo Presidente da República, representam um investimento público de 68 milhões de dólares.

O financiamento das duas empreitadas (34 milhões para o hospital e igual valor para a maternidade) é proveniente da Linha de Crédito da China, divulgou Cláudio Penessa, director provincial das Infra-estruturas da Lunda-Sul.

No caso do Hospital Geral, estão garantidos os serviços de 479 profissionais, entre médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar e administrativo. 61 foram admitidos na sequência do concurso público de admissão realizado em 2019, que encaminhou 185 profissionais para a maternidade (o que perfaz um total de 350 trabalhadores naquela unidade de saúde).

“As antigas instalações do hospital eram precárias e, neste momento, o grande desafio do Sistema Nacional de Saúde (SNS) é investir na qualidade da prestação de serviços”, disse Silvia Lutucuta, ministra da Saúde, durante a apresentação da nova infra-estrutura.

A obra do hospital, que teve início em Agosto de 2012, paralisou em 2015 e apenas foi retomada em 2018.

A governante explicou, também, que o governo está empenhado em “aumentar o acesso à saúde em qualquer lugar do país” e em providenciar “serviços mais complexos ao nível da rede sanitária”, colocando os cidadãos “no centro das preocupações”.

Silvia Lutucuta aproveitou a ocasião para recordar que o SNS está prestes a comemorar 45 anos de existência e que, na sua essência, foi pensado para “garantir o direito de todos à saúde gratuita e universal”.

O novo Hospital Geral de Saurimo, tal como a Maternidade, conta com 150 camas para internamento, 7 camas de cuidados intensivos (com ventilador e outros aparelhos), serviços de diversas especialidades (TAC, ecografia morfológica), 3 salas cirúrgicas e área pediátrica, laboratório, entre outros benefícios.

“A província tem agora condições para o internato de especialização médica”, disse a ministra da Saúde, em alusão à vertente formativa.

Sobre o contexto relacionado com a pandemia que afecta Angola e o mundo em geral, Silvia Lutucuta assumiu que o “momento é difícil” e que o novo hospital vai garantir uma melhor abordagem local em relação à Covid-19.

“Apelo ao pessoal de saúde para se preservar, reduzindo a sua exposição ao vírus com a utilização das máscaras e do material de protecção pessoal”, frisou.
A responsável pelo sector da Saúde também reforçou que a gestão correcta dos recursos disponíveis é, acima de tudo, “um imperativo ético”.

Miguel Gomes | Saurimo


Lapidação de diamentes

Endiama e Sodiam promevem pólo

O Presidente da República aproveitou a deslocação à capital da província da Lunda-Sul, concretizada ontem, para visitar o Pólo Diamantífero de Saurimo. Promovido pela Endiama e Sodiam, a infra-estrutura está avaliada em 77 milhões de dólares.

O pólo vai disponibilizar 20 lotes de terrenos para implementação de indústrias, além de uma fábrica de lapidação de diamantes, centro de formação, duas salas de conferência e vários edifícios comerciais para a instalação de lojas, restaurantes, bancos e outros negócios.

No final da curta visita de João Lourenço ao local, o ministro dos Petróleos e Recursos Naturais, Diamantino Azevedo, explicou que a primeira fase do empreendimento deve estar concluída “até Julho do próximo ano”.

O prazo de conclusão das obras – chegou a estar previsto para Novembro - foi afectado pela pandemia. “Não está fácil avançar nestas condições. Temos muito trabalho pela frente”, disse Azevedo em resposta às perguntas dos jornalistas.

O investimento da Endiama e Sodiam visa contribuir para o objectivo, anunciado pelo Governo, de lapidar e valorizar no país 20 por cento da produção nacional de diamantes. “É uma meta de longo prazo”, realçou Diamantino Azevedo, que apontou para a forte concorrência de outros mercados com maior experiência e capacidade de compra.

Neste momento, Angola conta com três fábricas de lapidação de diamantes, todas em Luanda. A de Saurimo será a quarta no país.

Um dos aspectos relevantes do pólo é a auto-suficiência energética, que será garantida pela construção de uma estação híbrida (solar e térmica), de forma a torná-lo independente do funcionamento da rede local.

Miguel Gomes | Saurimo