Mundo / África

Antigos Primeiros-Ministros começam a campanha eleitoral

Dois antigos Primeiros-Ministros da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira e Umaro Sissoco Embaló, iniciaram ontem a campanha eleitoral para a segunda volta das presidenciais, marcada para dia 29, terminando um ciclo de eleições iniciado em Março com as legislativas.

Domingos Simões Pereira, candidato apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), teve 40,13 por cento dos votos dos eleitores guineenses na primeira volta das presidenciais. Já Umaro Sissoco Embaló, apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), conseguiu o segundo lugar com 27,65 por cento dos votos.
Os dois candidatos têm até ao dia 27 para convencerem os eleitores guineenses de que são a melhor opção para assumir a Presidência da Guiné-Bissau e substituir no cargo José Mário Vaz, o Presidente cessante, que também participou na primeira volta das eleições, mas que falhou a reeleição. Nas últimas semanas, em Bissau, partidos políticos e candidatos que participaram na primeira volta das presidenciais, realizadas em 24 de Novembro, têm manifestado apoio aos respectivos candidatos.
Nuno Gomes Nabian, que ficou na terceira posição na primeira volta, assinou um acordo político com Umaro Sissoco Embaló, mas o seu partido, a Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB) demarcou-se e assinou uma adenda ao acordo de incidência parlamentar que tem com o PAIGC para apoiar o candidato Domingos Simões Pereira.
A APU-PDGB assinou um acordo de incidência parlamentar em 12 de Março com o PAIGC na sequência da realização das eleições legislativas. O PAIGC venceu as legislativas, mas teve de assinar um acordo com a APU-PDGB para conseguir ter a maioria no Parlamento e formar Governo.
O Presidente cessante anunciou apoio a Umaro Sissoco Embaló, único candidato que pediu apoio a José Mário Vaz, tal como Carlos Gomes Júnior, antigo Primeiro-Ministro do país e ex-presidente do PAIGC.
Além do apoio da APU-PDGB e de vários partidos e movimentos, Domingos Simões Pereira tem também o apoio de alguns candidatos que participaram na primeira volta, nomeadamente Baciro Djá, antigo Primeiro-Ministro e líder da Frente Patriótica de Salvação Nacional (Frepasna), de Vicente Fernandes, do Partido da Convergência Democrática, de Iaia Djaló, do Partido da Nova Democracia, de Idrissa Djaló, do Partido da União para a Mudança, e de Gabriel Indi, do Partido Unido Social Democrático.
Apesar dos vários apoios partidários e de ex-candidatos manifestados cabe aos mais de 760 mil eleitores guineenses decidir quem será o próximo Presidente da Guiné-Bissau, o que acontecerá no dia 29. Domingos Simões Pereira começou a campanha em Bissau com um círculo de discussão com estudantes e jornalistas, seguindo depois para Bula, onde realizará um comício. O candidato Umaro Sissoco Embaló realizou no primeiro dia de campanha um comício em Bissau.

Desvio de verba na Saúde
A ministra da Saúde Pública da Guiné-Bissau, Magda Robalo, denunciou esta semana um alegado desvio de quase um milhão de euros dos cofres do principal hospital do país e afirmou que o caso terá que ser esclarecido pela Justiça. Em documentos enviados à Lusa pela própria ministra, pode verificar-se que 600 milhões de francos CFA (cerca de 914 mil euros) terão sido desviados para proveito próprio.
Os documentos reportam-se aos resultados de uma auditoria do Tribunal de Contas ao exercício económico no Hospital Nacional Simão Mendes, entre 2016 e o primeiro trimestre de 2018.
Os documentos apontam para a existência de “despesas efectuadas sem especificação de natureza, despesas não justificadas e dívidas a terceiros”, sem enquadramento.
As conclusões apuradas pela auditoria - que imputa responsabilidades directas aos directores do Simão Mendes durante aquele período - já foram encaminhadas para a Justiça, declarou a ministra, que espera “um esclarecimento cabal e a responsabilização criminal”.
A denúncia de Magda Robalo acontece numa altura em que o Ministério da Saúde guineense intensifica os contactos com os parceiros internacionais para a busca de fundos para a melhoria do sistema da saúde pública.