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Governo da Tunísia aposta na luta contra a corrupção

O Presidente tunisino, Kais Saied, encarregou o político Elyes Fakhfakh de formar o novo Governo o mais rápido possível, anunciou, hoje, um comunicado da Presidência ao qual a AFP teve acesso.

Fakhfakh deve formar o Governo num prazo que não ultrapasse um mês, a partir de 21 de Janeiro corrente, um prazo não renovável, como estipulado pela Constituição.
A designação de Fakhfakh segue-se a consultas realizadas pelo Presidente Saied com partidos políticos, coligações e blocos parlamentares, e a concertações com organizações nacionais e várias personalidades que permitiram a sua designação.
Nascido em 1972 em Túnis, Fakhfakh é diplomado pela Escola Nacional dos Engenheiros de Sfax (Sul). Trabalhou durante vários anos na empresa petrolífera Total. Em Dezembro de 2011, iniciou a carreira política ao aderir ao partido de Ettakatol.
Na sequência da revolução de 2011, foi nomeado ministro do Turismo no Governo de Hamadi Jebali, sucedendo a Mehadi Houas, então homólogo nos precedentes Governos. A 19 de Dezembro de 2012, também assumiu o cargo de ministro das Finanças. Na segunda-feira, o então Primeiro-Ministro interino, Youssef Chahed, fez um anúncio público onde ofereceu recompensas até 50 mil dinares (16 mil euros) a quem denunciar situações de corrupção e colaborar com a Instância Nacional de Luta Contra a Corrupção (INLUCC).
Ao discursar durante o quarto Congresso Nacional de Luta Contra a Corrupção, Chahed explicou que, durante a próxima semana, seria promulgado um decreto-lei que permite aos denunciantes beneficiar de cinco por cento do dinheiro recuperado pelo Estado.
No mesmo dia e evento, a Instância Nacional Tunisina de Luta contra a Corrupção lançou oficialmente, uma rádio denominada “Rádio Transparência”, que tem por missão revelar e denunciar os casos de corrupção em todas as formas, na Tunísia, revelou a AFP.
A corrupção tornou-se numa realidade, na Tunísia pós-2011, e afecta as empresas e os serviços públicos, apresentando-se sob várias formas das quais o tráfico, o suborno, a corretagem, o branqueamento de dinheiro, a delapidação de fundos públicos e o abuso do poder.
A “Estou Acordado”, uma organização nacional de luta contra a corrupção, indicou, num relatório a 1 de Agosto, que 67 por cento dos tunisinos entendem que a corrupção proliferou e 64 porcento consideram que o Governo não trata seriamente a questão da corrupção no país.
O presidente da organização, Chawki Tabib, considera que “a corrupção na Tunísia se tornou num flagelo e, se continuar, vai destruir as bases do Estado, que vai transformar-se num Estado mafioso”.
O coordenador residente da ONU na Tunísia, Diego Zorrilla, saudou, recentemente, os esforços feitos pela Tunísia para lutar contra a corrupção e o compromisso de várias empresas e dos três poderes de reforçar este procedimento.
Indicou que a ONU presta apoios técnico e financeiro no acompanhamento de várias empresas na luta contra a corrupção nos domínios da saúde, da segurança, das municipalidades e das alfândegas e para a adopção de programas de prevenção da corrupção.