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Grupos armados garimpam ouro na região do Sahel

Os grupos armados e outros extremistas, que operam no Sahel estão a garimpar ouro, aproveitando a falta da administração do Estado nos países que compõem a região, alertou, num relatório publicado quarta-feira, a ONG International Crisis Group (ICG).

Desde 2016, grupos armados têm ocupado áreas, onde não existe autoridade do Estado no Mali, Burkina Faso e Níger, advertiu a ONG, para a qual a sua cobiça aumentou por causa do “boom” do sector aurífero artesanal, desde a descoberta, em 2012, de um “ filão sahariano”.
Desde aquele ano, os três países vivem directamente a propagação das actividades jihadistas, a partir do Norte do Mali, paralelas aos conflitos inter- comunitários, que já causaram milhares de mortes, entre civis e militares.
Não obstante a presença de forças estrangeiras, particularmente da ONU, os referidos Estados, pobres, têm dificuldades em enfrentar as guerrilhas e em controlar os extensos espaços territoriais controlados por bandos armados, que se auto-financiam com vários tipos de tráfico.
Segundo a ICG, a produção artesanal de ouro representa 50 por cento do feito industrialmente. Por ano, atinge 20 a 50 toneladas, no Mali, 10 a 30, no Burkina Faso, e 10 a 15 , no Níger, sendo o valor monetário global estimado entre 1,9 e 4,5 mil milhões de dólares, anualmente. “Mais de dois milhões de garimpeiros estarão directamente implicados na extracção artesanal de ouro, sendo um milhão de burkinabes, 700 mil malianos e, 300 mil nigerinos, calcula a ONG, indicando que o número de trabalhadores indirectos pode ser três vezes maior.

Macron adia cimeira
O Presidente francês, Emmanuel Macron, decidiu adiar para o início de 2020 a cimeira com os homólogos de cinco países do Sahel, prevista para segunda-feira, na sequência do ataque de grupos armados na terça-feira, no Níger, anunciou, ontem, o Eliseu, citado pela Agência France Press.
Emmanuel Macron e o Presidente do Níger, Mahamadou Issoufou, concordaram “em propor aos homólogos do Sahel o adiamento, para o início de 2020, da cimeira, em França, dedicada à “Operação Barkhane” e à força conjunta do G5”, noticiou a agência.
Pelo menos, 71 soldados morreram nos conflitos iniciados, na noite de quinta-feira da semana passada, no Níger, após o ataque contra um acampamento do Exército, em Inates, perto da fronteira com o Mali. “Infelizmente, o balanço é deplorável, 71 soldados mortos, 12 feridos, pessoas desaparecidas e um número significativo de rebeldes neutralizados”, referiu, num comunicado, o Ministério da Defesa, lido na televisão. “O combate”, que durou três horas, foi “de uma rara violência que juntou fogo de artilharia e bombistas suicidas”, acrescenta o comunicado do Ministério.
No dia 4, após a cimeira da OTAN, o Presidente francês convidou para Pau (Sudoeste da França) os homólogos de cinco países do Sahel para exigir um apoio mais claro face ao crescente sentimento anti-francês”.
“Devemos, a muito curto prazo, voltar a clarificar o âmbito e as condições políticas da nossa intervenção no Sahel com os cinco Estados membros do G5 Sahel (Mali, Burkina Faso, Níger, Chade e Mauritânia)”, disse, na altura, o Chefe de Estado francês, antes do encontro.