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Mesas de voto destruídas como forma de contestação

Duas assembleias de voto em Cabília, Norte da Argélia, foram vandalizadas por grupos que se opõem à realização das eleições presidências realizadas ontem no país, noticiou a agência France Press, que cita testemunhas locais. “As urnas de voto e os boletins foram destruídos”, disseram habitantes da cidade à AFP, que disseram não terem identificado os atacantes.

Após mais de 10 meses de contestação, os argelinos votaram, ontem, pelo sucessor do Presidente Abdelaziz Bouteflika, apesar da eleição ser encarada como uma manobra política pelos poderes instalados para salvar a governação.
Cerca de 60 mil assembleias de voto estiveram a funcionar desde às 8h00 (7h00 em Angola) em todo o país, com a televisão estatal a exibir imagens da participação nas várias regiões da Argélia.
O "Hirak", movimento contra a autoridade instalada, que surgiu no dia 22 de Fevereiro e forçou a demissão de Bouteflika, em Abril, alerta que o poder, nas mãos dos militares, quis organizar estas eleições a “todo o custo”.
Para o movimento, trata-se de uma “farsa eleitoral” que pretende manter o “sistema no poder desde a independência”, em 1962, e sobretudo aqueles que controlam a política desde que Bouteflika foi nomeado Presidente, há 20 anos.
Os cinco candidatos presidenciais eram considerados pela oposição e por grupos de contestação como “filhos do sistema”. Em caso de segunda volta, a eleição deve realizar-se nas próximas semanas.
Na véspera da votação, o Presidente interino, Abdelkader Bensalah, promulgou a lei do Orçamento do Estado para 2020.
A proposta orçamental inclui importantes reformas económicas, como uma nova lei para os hidrocarbonetos, que suscitou as críticas das forças da oposição, em particular o “Hirak”, movimento de contestação iniciado em Fevereiro, que pede a anulação da medida.A nova lei orçamental reduz os gastos públicos em 7,7 por cento em comparação com 2019, em grande parte devido à redução da tributação sobre o petróleo.
O documento também abre caminho à possibilidade da Argélia pedir empréstimos internacionais, opção que os militares argelinos sempre evitaram.