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Aristides Gomes tem a missão de envolver a classe política

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, vai nomear primeiro-ministro Aristides Gomes, segundo o comunicado final da cimeira extraordinária da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que decorreu sábado em Lomé, no Togo.

Os Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO reuniram-se  extraordinariamente em Lomé para resolver o impasse político que a Guiné-Bissau vive há cerca de três anos.
Segundo a agência AFP, 10 Chefes de Estado e de Governo estiveram reunidos em Lomé para encontrar uma solução para a crise política.
Durante a cimeira, José Mário Vaz informou os seus homólogos que, após consultas com as forças políticas e sociedade civil, tomou a decisão de nomear Aristides Gomes primeiro-ministro.
A nomeação vai ser feita por decreto presidencial no dia 17 deste mês em Bissau, refere o comunicado, citado pela AFP.
O Chefe de Estado guineense informou também que os actores políticos decidiram reabrir o Parlamento a 19 de Abril para decidir questões relacionadas com a eleição da direcção da Comissão Nacional de Eleições e a prorrogação da legislatura, refere o comunicado da cimeira, que foi presidida pelo Chefe de Estado do Togo e actual presidente em exercício da CEDEAO, Faure Gnassingbé.
O Presidente guineense anunciou também que as eleições legislativas se vão realizar a 18 de Novembro deste ano.
Os Chefes de Estado da CEDEAO “tomaram nota daquelas decisões e datas que farão parte do roteiro” e pediram a todos os actores para trabalharem para trazer estabilidade ao país.
A Guiné-Bissau vive uma crise política desde a demissão, por José Mário Vaz, em Agosto de 2015 do Governo liderado pelo antigo primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, do PAIGC, vencedor das legislativas de 2014.
Desde as eleições legislativas de 2014, a Guiné-Bissau já teve seis primeiros-ministros. O último nomeado pelo Presidente foi Artur Silva, um dirigente do PAIGC, que tomou posse a 31 de Janeiro, mas que, até ao momento, ainda não tinha apresentado a composição do seu Governo.
Perante as dificuldades do então primeiro-ministro Artur Silva, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), achou por bem convocar uma reunião com carácter extraordinário para apreciar a situação e tomar decisões que sirvam para impulsionar o processo político na Guiné-Bissau.
Uma fonte, que preferiu o anonimato, referiu que o Presidente guineense está cada vez mais apertado e está a esgotar as suas possibilidades de conseguir devolver ao país o curso normal das suas instituições.
Na cimeira extraordinária de sábado, em Lomé, isso ficou mais claro. Os Chefes de Estado pediram ao Presidente José Mário Vaz que desenvolva esforços no sentido de buscar consensos a favor da estabilidade e progresso político e social. A cimeira tomou importantes decisões para resolver a crise na Guiné-Bissau, segundo a Pana que cita fontes oficiais na capital togolesa. O comunicado final publicado no termo da cimeira, em que participaram vários Chefes de Estado e de Governo,  apela aos adversários políticos para continuarem o diálogo técnico e político, sem o qual a Guiné não vai encontrar o caminho do entendimento.
Neste sentido, os Chefes de Estado e de Governo aprovam a nomeação pelo Presidente José Mário Vaz, após consultas com as forças políticas e da sociedade civil, de  Aristides Gomes, para o posto de primeiro-ministro de consenso.
Todos os actores políticos, prossegue o comunicado, decidiram pela abertura, a 19 de Abril, das actividades do Parlamento, a fim de se repor as dinâmicas legislativas necessárias para a realização das eleições.
As legislativas devem realizar-se a 18 de Novembro, conforme o calendário acima apresentado. Para o efeito, indica a CEDEAO, a cimeira  aprovou a prorrogação do mandato da Missão da CEDEAO na Guiné-Bissau (ECOMIB) até 30 de Junho de 2018, e exorta as forças de defesa e segurança bissau-guineenses a contribuírem para garantir a paz e a segurança em todo o país.
O Presidente da Guiné Conacri, Alpha Condé, medianeiro da crise em Bissau, apoiado pela CEDEAO, contribuiu na preparação das decisões tomadas em Lomé para descongelar a situação.