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Boris Johnson recebido com vivas após pedir para formar Governo

O Primeiro-Ministro britânico, Boris Johnson, foi ontem recebido com fortes aplausos e vivas no interior da residência oficial em Downing Street ao regressar do Palácio de Buckingham para pedir formalmente à Rainha autorização para formar Governo.


Os conservadores de Boris Johnson ganharam as eleições de quinta-feira com maioria absoluta, tendo garantido 364 dos 650 assentos parlamentares, mais 66 do que na anterior legislatura.
Trata-se da maior vitória dos últimos 30 anos.
Os trabalhistas ganharam em apenas 203 círculos eleitorais, menos 42 do que nas últimas eleições, a pior derrota do pós-guerra.
A terceira força política é o Partido Nacionalista Escocês (SNP), que elegeu 48 deputados (mais 13) dos 59 a que a Escócia tem direito na Câmara dos Comuns, seguido dos Liberais Democratas, que elegeram 11 deputados (menos um).
Boris Johnson, o 14º Primeiro-Ministro em funções desde a coroação da Rainha há 67 anos, esteve ontem pouco mais de meia hora no interior do Palácio de Buckingham, onde terá pedido formalmente à Rainha para formar Governo.
O Governo já deu a conhecer a intenção de convocar o Parlamento na próxima terça-feira e de realizar o discurso da Rainha para apresentar o programa legislativo na quinta-feira, numa cerimónia mais discreta do que o habitual, sem a coroa ou trajes protocolares.
No programa eleitoral, o Partido Conservador prometeu iniciar “antes do Natal” o processo legislativo para ratificar o acordo de saída do Reino Unido negociado por Boris Johnson com Bruxelas em Outubro para garantir a saída da União Europeia (UE) em 31 de Janeiro, pelo que as férias poderão ser adiadas.
Segue-se a apresentação de um novo orçamento em Fevereiro, incluindo o corte de impostos, e uma série de medidas para completar até Março, como impedir a libertação antecipada de criminosos perigosos, aumentar o financiamento para a educação e saúde e estabelecer um novo sistema de imigração.

“Obrigado pela confiança”
Após ser novamente investido como Primeiro-Ministro britânico, Boris Johnson agradeceu aos apoiantes e anunciou para segunda-feira a entrada em funções do novo Governo.
“Esta manhã fui ao Palácio de Buckingham e vou formar um novo Governo. Na segunda-feira, os deputados vão chegar a Westminster para formar um novo Parlamento. Estou orgulhoso por dizer que os membros do nosso novo Governo de uma nação, Governo do povo, vêm de círculos eleitorais que nunca tiveram um deputado conservador por 100 anos. Claro, vão ter um mandato desta eleição para concretizar o Brexit e vamos honrar esse mandato até 31 de Janeiro”, começou por dizer Boris Johnson no primeiro discurso após ser investido como Primeiro-Ministro. “Quero falar directamente com aqueles que tornaram isto possível e com todos aqueles que votaram em nós pela primeira vez. Aqueles que ouviram as vozes dos pais e dos avós. Obrigado pela confiança que depositaram em nós e em mim pessoalmente”, frisou. À porta de Downing Street, o governante garantiu que “essa confiança vai ser paga e vou conseguir compensar-vos pelo vosso voto de confiança”.
“Quanto aos que não votaram nos conservadores e que querem permanecer na União Europeia, nós nesta nação, no Governo conservador, nunca vamos ignorar os vossos sentimentos e as vossas aspirações. É precisamente quando estamos prestes a sair da UE, que esses sentimentos naturais encontram uma expressão renovada”, prossdeguiu.
“Exorto francamente a todos de ambos os lados, após três anos e meio, de uma discussão cada vez mais árida, peço a todos que encontrem paz de espírito e deixem a cicatrização começar”, urgiu.
Boris Johnson, apelou ainda que sobre o tema do Brexit para que os cidadãos encontrem “uma forma de fazer as pazes com o assunto”. “A prioridade estrondosa dos cidadãos britânicos - e eu ouvi-a em todo o país - é desenvolver o Sistema Nacional de Saúde. Vamos unir e subir o nível”, acrescentou.
Após cinco semanas de campanha, “sinceramente o país precisa de uma pausa da discussão, uma pausa da política, uma pausa permanente de falar do Brexit”, precisa de se unir e de voltar aos assuntos que interessam. “De ter um Parlamento que sirva as pessoas”, rematou.