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Donald Trump rejeita participar na audição para “impeachment”

A Casa Branca anunciou que não vai participar na primeira audição do processo de destituição do Presidente norte-americano, Donald Trump, na Comissão Judicial da Câ-mara dos Representantes, marcada para amanhã.

A recusa foi transmitida, no domingo, à Comissão através de uma carta do advogado da Casa Branca.
“Não se pode legitimamente esperar que participemos numa audição quando os nomes das testemunhas não foram divulgados, ao mesmo tempo que se mantém a dúvida de que a Comissão Judicial possa garantir ao Presidente um processo justo”, escreveu Pat Cipollone, numa carta dirigida ao presidente da Comissão, Jerry Nadler.
Donald Trump deve participar numa cimeira da NATO, amanhã, nos arredores de Londres.
A 26 de Novembro, a Co-missão Judicial da Câmara dos Representantes convidou Trump ou os advogados para a audição nesta quarta-feira, numa nova fase do inquérito com vista à destituição do Presidente norte-americano.
“Espero que o senhor ou os seus advogados aceitem participar nesta audição”, escreveu-lhe o congressista democrata Jerry Nadler, que preside à esta comissão judicial encarregada de redigir o libelo acusatório de Donald Trump.
A audição incide sobre a questão da eventual ocorrência de “alta traição e delitos graves”, considerados na Constituição. A sessão vai contar com a presença de peritos que vão analisar a base constitucional para a eventual destituição do Presidente.
A audição na Comissão Judicial vai ocorrer em simultâneo com a apresentação, pela comissão das Informações, do relatório com as provas das relações de Trump com a Ucrânia.
Trump é acusado de abuso de poder no exercício do cargo.
Esta Comissão da Câmara dos Representantes realizou ao longo de duas semanas audições centradas nos pedidos de Trump ao homólogo ucraniano para que mandasse investigar o antigo Vice-Presidente Joe Biden e o filho, enquanto fazia depender a prestação de ajuda militar a este país da realização desta investigação. A comissão deu o prazo de até 1 de Dezembro para Trump responder.
O multimilionário septuagenário, de 73 anos, está sob investigação do Congresso num inquérito para a destituição, por alegado abuso de poder no exercício do cargo.
Trump é suspeito de ter pressionado o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, a investigar uma empresa ucraniana da qual foi administrador o filho do ex-Vice-Presidente Joe Biden, seu eventual rival político nas eleições de 2020, em troca de uma ajuda militar dos EUA.
O 45º Presidente norte-americano, em funções desde 20 de Janeiro de 2017, qualificou a investigação de “caça às bruxas”. As audições públicas do inquérito começaram em 13 de Novembro.
Se as conclusões do inquérito forem aprovadas por maioria simples na Câmara dos Representantes, o processo segue para o Senado, sendo então necessária uma maioria de dois terços para a destituição do Presidente.

Democrata Steve Bullock desiste da corrida à Casa Branca

O governador do Estado de Montana, Steve Bullock, anunciou, ontem, que suspende a sua campanha com vista às presidenciais dos EUA pelo Partido Democrata, tornando-se o 13º candidato a abandonar a corrida à Casa Branca.
São já 13 os candidatos que abandonaram a campanha das eleições primárias com vista a uma corrida presidencial em Outubro de 2020: 12 do Partido Democrata e um do Partido Republicano.
Steve Bullock anunciou que suspendia a campanha, alegando que não está em condições para se juntar ao grupo dos candidatos democratas que lideram as sondagens nas primárias, cujas primeiras eleições ocorrem no início do próximo ano.
“Ficou claro que, neste momento, não serei capaz de chegar ao nível mais alto deste lado (democrata) ainda pleno de candidatos”, disse Bullock num comunicado. O governador de Montana referia-se à lista de 16 candidatos democratas que ainda estão em campanha, apesar das 12 desistências que já foram anunciadas ao longo dos últimos meses.
Do lado republicano, só um (Mark Sanford, ex-governador da Carolina do Sul) desistiu, deixando na corrida apenas três outros candidatos: William Weld, antigo governador de Massachussets, Joe Walsh, antigo congressista de Illinoins, e o quase certo recandidato Donald Trump, que tem vindo a subir de popularidade junto dos eleitores do partido.
Os 12 abandonos de campanha no Partido Democrata têm sido compensados com o aparecimento, em cima da linha de partida para as primárias, de candidatos como Michael Bloomberg, ex-'mayor' de Nova Iorque, e Devil Patrick, ex-governador de Massachussets.
Bloomberg e Patrick anunciaram as candidaturas, nas recentes semanas, alegando um idêntico motivo: apesar do elevado número de opções, não encontram em nenhum outro candidato democrata qualidades suficientes para conseguir derrotar Donald Trump em 2020.
Estes dois candidatos de última hora invocam sondagens que revelam que o eleitorado descontente com Donald Trump não quer nem candidatos do “sistema”, como Joe Biden, que foi Vice-Presidente de Barack Obama, nem candidatos radicais, como Bernie Sanders ou Elizabeth Warren, que representam os sectores mais à esquerda do partido.
Contudo, Steve Bullock, que agora abandonou, e Joe Sestak, ex-congressista que também abandonou a corrida, no domingo, consideram que a lista de ainda 16 candidatos democratas é mais do que suficiente para garantir uma forte disputa presidencial.
Aliás, ambos, tal como outros desistentes anteriormente, queixaram-se mesmo de excesso de rivalidade dentro do partido, levando a uma dispersão de atenções dos eleitores, que dizem poder ser prejudicial para as ambições de derrotarem Donald Trump.
Muitos dos que abandonaram a corrida presidencial do próximo ano, invocaram igualmente dificuldades para angariar fundos suficientes para permanecer numa longa e difícil contenda eleitoral, onde estão presentes alguns candidatos bilionários (como Michael Bloomberg) que estão a subir a fasquia dos gastos de campanha.
As primeiras eleições das primárias do Partido Democrata realizam-se em 3 de Fevereiro, no Estado do Iowa, onde o candidato Pete Buttigieg está à frente nas sondagens, embora em termos nacionais a liderança vá para Joe Biden, logo seguido de Elizabeth Warren, revelando que os eleitores ainda não estabilizaram as opções.