Mundo

EUA e China exortados a melhorar as relações

O ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger, exortou ontem os Estados Unidos e a China a adoptarem “uma perspectiva mais ampla” ao abordarem as suas relações, que são vitais para o mundo e que se deterioraram nos últimos meses devido à guerra comercial e às tensões no Mar da China Meridional.

“Os Estados Unidos e a China são duas grandes potências e as suas relações devem melhorar porque são de vital importância para ambos e para o mundo”, disse o veterano diplomata depois de se reunir em Pequim com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, segundo o Ministério do país asiático em comunicado.
Henry Kissinger, de 95 anos, admitiu que nos EUA existe certa “hostilidade” contra a segunda maior economia do mundo, mas ponderou que esta não é a “corrente principal” da opinião pública do seu país, que não deve ver o gigante asiático como um “oponente”.
“É necessário que as duas partes abordem as relações numa perspectiva mais ampla e alcancem consensos para conseguir um desenvolvimento estável e de longo prazo dos laços bilaterais”, afirmou Kissinger, um dos artífices do restabelecimento das relações sino-americanas há mais de 40 anos.
Wang, por sua vez, considerou que a China e os Estados Unidos podem e devem resolver as diferenças comerciais “de forma adequada”, isto é, “através de um diálogo em pé de igualdade”. “A cooperação pode ser benéfica para ambas as partes e é a única opção correcta para os dois países. Os interesses comuns são mais importantes que as diferenças”, acrescentou o chefe da diplomacia chinesa.
Na terça-feira, o vice-presidente chinês, Wang Qishan, disse em Singapura que o país asiático está preparado para iniciar um diálogo com os EUA, para chegar a um acordo “aceitável para as duas partes” em matéria comercial.
As duas principais potências económicas do mundo mantêm desde Julho uma guerra tarifária, que se soma a uma série de recentes episódios de tensão no Mar da China Meridional, onde navios americanos navegaram por águas que a China reivindica como suas, acto que Pequim considera uma “provocação”.
A oferta do vice-presidente chinês e as palavras do titular da diplomacia coincidem com o anúncio recente do reatamento, para hoje, da segunda ronda de diálogo sobre segurança e diplomacia em Washington, que tinha sido adiada em Outubro.
O reatamento dos contactos acontece depois da conversa telefónica entre Donald Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, na semana passada.

Reunião com Donald Trump
O Presidente chinês, Xi Jinping, confirmou ontem que se reúne com o homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a próxima cimeira de líderes do G20 que acontece no fim deste mês na Argentina, informou a agência “Xinhua”.
“Cheguei a um acordo para uma reunião com Trump durante a próxima cimeira do G20, onde as duas partes terão oportunidade de trocar os seus pontos de vista em assuntos de interesse comum”, disse Xi Jinping durante um encontro que manteve em Pequim com o antigo secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger.
Segundo Xi Jinping , apesar dos recentes “altos e baixos” na relação bilateral, os laços entre a China e os Estados Unidos mantiveram um “progresso estável” nas últimas quatro décadas. Além disso, o Presidente chinês afirmou que o desejo da comunidade internacional é que a relação avance “na direcção correcta”.
Kissinger foi definido por Xi como “um velho amigo do povo chinês”,  ao elogiar a contribuição deste ao restabelecimento dos laços sino-americanos há mais de 40 anos.