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Ex-ministra da Saúde assume cargo na ONU

A antiga ministra da Saúde da Guiné-Bissau Magda Nely Robalo vai presidir ao Comité de Ética e Governação do Fundo Global de Luta contra a Sida, Tuberculose e Malária, anunciou, quarta-feira, a própria nas redes sociais, segundo a Lusa.

“Foi com muita honra que assumi, há uma semana, as funções de presidente do Comité de Ética e Governação do Fundo Global de Luta contra o VIH/Sida, a Tuberculose e o Paludismo”, escreveu Magda Nely Robalo, na sua página na rede social Facebook. Na mensagem, a antiga representante da Organização Mundial da Saúde na Namíbia e no Ghana agradeceu, também, aos membros da administração do Fundo Global pela “eleição, que foi precedida de um processo criterioso de selecção”.

Sediado na Suíça, o Fundo Global de Luta contra a Sida, Tuberculose e Malária é uma instituição financeira internacional, que tem como principal objectivo o financiamento de programas para combater epidemias, como o HIV/Sida, tuberculose e malária, no âmbito dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

O Fundo Global apoia, também, o desenvolvimento de sistemas de saúde, principalmente nos países em desenvolvimento. Magda Robalo integrava o Governo guineense liderado por Aristides Gomes, saído das legislativas de Março de 2019, e que foi demitido no final de Fevereiro, na sequência da tomada de posse de Umaro Sissoco Embaló.

PAIGC debate situação no país

O PAIGC, vencedor das últimas legislativas, debateu, ontem, com os partidos com assento parlamentar, a situação política no país. Segundo a Lusa, o objectivo do encontro foi procurar um consenso para formar um Governo inclusivo, mas liderado pelo PAIGC, que venceu as legislativas, para realizar “as grandes reformas”, incluindo a revisão constitucional.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que tem mediado a crise política no país, instou, em Abril, em comunicado, o Chefe de Estado, Umaro Sissoco Embaló, a nomear, até hoje, um novo Governo, que respeite os resultados das legislativas de 2019. No mesmo comunicado, a CEDEAO reconheceu Umaro Sissoco Embaló como vencedor das presidenciais e pediu às autoridades e classe política guineenses para encetarem diligências, de modo a promover a revisão constitucional no prazo de seis meses e realizar um referendo.

Na quarta-feira, o Primeiro-Ministro guineense, Nuno Nabian, presidiu à cerimónia oficial de lançamento da campanha de comercialização da castanha de caju, principal produto agrícola e de exportação do país. No final de Abril, o Governo liderado por Nuno Nabian, nomeado pelo Presidente Umaro Sissoco Embaló, já tinha fixado o preço base de compra do quilograma da castanha de caju ao produtor em 375 francos cfa (cerca de 0,57 euros), mas salientado que só autorizaria a comercialização no final do Estado de Emergência declarado devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus.

A Guiné-Bissau tem vivido, desde o início do ano, mais um período de crise política, depois de Sissoco Embaló, dado como vencedor das eleições pela Comissão Nacional de Eleições, se ter autoproclamado Presidente do país, apesar de decorrer, no Supremo Tribunal de Justiça, um recurso de contencioso eleitoral apresentado pela candidatura de Domingos Simões Pereira.

Na sequência da tomada de posse, o Presidente guineense demitiu o Governo liderado por Aristides Gomes e nomeou para o cargo Nuno Nabian, líder da APU-PDGB, que formou Governo com o Madem-G15, o PRS e elementos do movimento de apoio ao antigo Presidente guineense, José Mário Vaz, e do antigo Primeiro-Ministro Carlos Gomes Júnior.

Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, não aceitou a derrota na segunda volta das presidenciais de Dezembro e considerou que o reconhecimento da vitória do adversário é “o fim da tolerância zero aos golpes de Estado” por parte da CEDEAO. União Europeia, União Africana, ONU, Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e Portugal elogiaram a decisão da organização sub-regional africana por ter resolvido o impasse político que persistia no país, mas exortaram a que fossem executadas as recomendações da CEDEAO, sobretudo a de nomear um novo Governo, respeitando o resultado das últimas eleições legislativas.