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Frelimo pede mais acção contra ataques armados

A Frelimo, partido no poder em Moçambique, manifestou-se preocupada com os ataques no Centro e Norte do país e pediu a intensificação de medidas para conter as incursões de grupos armados naquelas regiões, noticiou, ontem, a Lusa.

“A Comissão Política reitera a profunda preocupação pelos ataques protagonizados por malfeitores em alguns pontos da província de Cabo Delgado e na região Centro, causando a perda de preciosas vidas humanas e a destruição de bens das populações”, lê-se num comunicado da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), reunida sexta-feira na 39ª sessão da Comissão Política, em Maputo.
No documento, o partido no poder condena os ataques e considera ser necessário a intensificação das operações pelas Forças de Defesa e Segurança para conter as incursões dos grupos armados nas duas regiões.
“A Comissão Política condena com veemência esses ataques e encoraja o Governo a intensificar as medidas necessárias para o restabelecimento rápido da tranquilidade das comunidades afectadas e da confiança dos investidores”, lê-se ainda no documento.
Na região de Cabo Delgado (Norte) têm-se sucedido ataques de grupos armados desde Outubro de 2017, após anos de atritos entre muçulmanos de diferentes origens, com a violência a eclodir em mesquitas radicalizadas.
Pelo menos, 300 pessoas morreram, em Cabo Delgado, segundo números oficiais, e 60 mil residentes foram afectados, muitos obrigados a deslocar-se para outras regiões em busca de segurança, segundo as Nações Unidas.
Nas províncias de Manica e Sofala (Centro), a situação de insegurança afecta dois dos principais corredores rodoviários do país, a EN1, que liga o Norte ao Sul do país, e a EN6, que liga o porto da cidade da Beira ao Zimbabwe e restantes países do interior da África Austral.
A Polícia tem responsabilizado um grupo de guerrilheiros dissidentes da oposição, a autoproclamada Junta Militar da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), pelos ataques.
As incursões acontecem num reduto da Renamo, onde os guerrilheiros se confrontaram com as forças de defesa e segurança moçambicanas e atingiram alvos civis até ao cessar-fogo de Dezembro de 2016.
Oficialmente, o partido afasta-se dos actuais incidentes e diz estar a cumprir as acções de desarmamento que constam do acordo de paz de 6 de Agosto deste ano, mas um grupo dissidente (considerado desertor pela Renamo), liderado por Mariano Nhongo, permanece entrincheirado, reivindicando melhores condições de desmobilização.

Financiamento
O Governo dos EUA, através do programa Corporação do Desafio do Milénio (MCC), aprovou um novo programa de financiamento para Moçambique, anunciou, sexta-feira, em comunicado, citado pela Lusa.
“Tenho o prazer de anunciar a nova parceria do compacto da MCC com Moçambique”, afirmou o director executivo da MCC, Sean Cairncross, referido em comunicado da Embaixada dos EUA em Maputo.
A MCC é um programa do Governo dos EUA que providencia subsídios por um período determinado a países em desenvolvimento e que satisfazem “padrões rigorosos de boa governação”, desde o combate à corrupção até ao respeito pelos direitos humanos.
“A MCC trabalha por todo o mundo na redução da pobreza através do crescimento económico consolidando a democracia e as reformas do mercado livre”, acrescentou Sean Cairncross.
A selecção de Moçambique para um segundo compacto, após um primeiro, concluído em Setembro de 2013, reforça a cooperação entre os dois Estados, cujo objectivo é garantir o crescimento económico mais inclusivo e de reformas políticas que fortaleçam o país.
Moçambique realizou o primeiro compacto da MCC 2013 e demonstrou, recentemente, “melhorias políticas encorajadoras no indicador de desempenho”, segundo o comunicado. No primeiro programa, Moçambique recebeu 507 milhões de dólares.