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Mário Vaz exige ao Governo o abandono dos ministérios

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, exigiu, ontem, que o Governo do Primeiro-Ministro, Aristides Gomes, deixe os ministérios no prazo de 24 horas. Este ultimato segue-se ao que a CEDEAO fez, ao dar 48 horas ao Governo “ilegal” de Imbali, nomeado pelo Chefe de Estado, para demitir-se.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) lançou terça-feira, um “último apelo” ao Governo de Faustino Imbali, nomeado na semana passada pelo Presidente cessante, José Mário Vaz.
A continuação do braço-de-ferro entre José Mário Vaz e Aristides Gomes, apoiado pela comunidade internacional, faz temer um adiamento da eleição presidencial, marcada para o dia 24 de Novembro, e que deveria pôr termo, formalmente, ao mandato do actual Chefe de Estado, no poder desde 2014.
Terça-feira, o Conselho Nacional de Defesa, convocado pelo Presidente da República, recebeu instruções para formar uma força conjunta e facilitar aos membros do Governo de Faustino Imbali o acesso às instituições do Estado. Quarta-feira, Aristides Gomes declarou à imprensa que a referida reunião era ilegal, já que o Governo “legítimo” não participou nela, acusando o Presidente da República de protagonizar uma tentativa de golpe de Estado.
O representante da CEDEAO, em Bissau, Blaise Diplo, alertou para qualquer iniciativa que visa comprometer as próximas eleições presidenciais, prometendo sanções aos recalcitrantes. A CEDEAO reúne-se extraordinariamente hoje, em Niamey, Níger, para estudar as sanções a serem aplicadas contra o chamado “Governo ilegítimo” de Faustino Imbali.
A 1 de Novembro, o Conselho de Segurança da ONU apelou ao respeito da data da eleição presidencial na Guiné-Bissau, rejeitando a demissão do Governo, ordenada pelo Presidente José Mário Vaz.

Aristides Gomes acusa Vaz de fomentar a instabilidade
O Executivo de Aristides Gomes acusou, quarta-feira à noite, o Presidente guineense, José Mário Vaz, de estar a tentar fomentar a instabilidade para impor um “Governo inconstitucional” e comprometer o processo para as eleições presidenciais, noticiou a Lusa.
Num comunicado, lido no final de uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, no Palácio do Governo, em Bissau, o ministro da Presidência do Conselho de Ministros e Assuntos Parlamentares, Armando Mango, condenou a convocação da reunião do Conselho Superior de Defesa, na terça-feira, e denunciou que José Mário Vaz terá tentado utilizar as forças de segurança e ordem para que executassem os seus decretos presidenciais.
“Este facto configura um grave atentado ao clima de paz e estabilidade no país e confirma a tese de tentativa de golpe de Estado, denunciado, em tempo útil, pelo Primeiro-Ministro”, salientou Armando Mango.
Na quarta-feira, o Governo recebeu o apoio das forças da CEDEAO, que colocaram um dispositivo militar em redor do Palácio governamental, de modo a impedir o que Aristides Gomes rotulou na altura de “eventuais perturbações da estabilidade política”.
Até ontem, esse dispositivo de segurança continuava a impedir que pessoas estranhas ao Governo de Aristides Gomes se acercassem do local, onde os ministros continuam a trabalhar com toda a normalidade.
Os ministros da Igualdade de Género da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) assinaram, ontem, na Cidade da Praia, Cabo Verde, uma moção de apoio ao Executivo da Guiné-Bissau, liderado por Aristides Gomes, defendendo “reconhecer o Governo legítimo” que resultou das legislativas de Março.
Uma nota divulgada no 'site' na Internet da CPLP dá conta do apoio ao Executivo guineense, “tomando em consideração o agravamento da crise política vivida neste momento na Guiné-Bissau e congratula-se com o posicionamento da organização e demais membros da comunidade internacional”, que “declararam reconhecer o Governo legítimo liderado por Aristides Gomes”.
“A presente moção de apoio e solidariedade para o Governo da Guiné-Bissau, o povo guineense e, em especial, as mulheres e as crianças, que são as que mais sofrem as consequências das cíclicas crises políticas foi aprovada por unanimidade, pelos ministros e responsáveis pela Igualdade de Género da CPLP”, indica a moção.