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Matteo Salvini reafirma ter agido em defesa da Itália

O ex-ministro do Interior da Itália e líder do partido “Liga”, Matteo Salvini, mostrou-se ontem confiante de que não será condenado por ter impedido, durante dias, o desembarque de migrantes a bordo de um navio militar italiano.


“Eu cumpri o meu dever, sem nenhum medo. A defesa da pátria é um dever do cidadão e ainda mais quando se é ministro”, disse Salvini à imprensa internacional, um dia depois de o Senado aprovar o levantamento da sua imunidade para permitir a abertura de um julgamento por abuso de poder e sequestro de pessoas. O caso remonta a Julho do ano passado, quando Salvini proibiu o desembarque de 131 migrantes que estavam a bordo de um navio da Guarda Costeira italiana por cinco dias.
O agora senador explicou que seguirá “cuidadosamente os acontecimentos, sem medo ou preocupação”, e que não acredita que será condenado, acrescentando que “o artigo 52 da Constituição de Itália estabelece que a defesa da pátria é dever de todos os cidadãos”.
Matteo Salvini disse também que o resumo da investigação será mandado agora para um tribunal comum, que decidirá se deve abrir um julgamento neste caso.
Salvini, que respondeu às perguntas dos jornalistas da imprensa internacional, por mais de uma hora, disse acreditar que o Governo formado pelo Movimento 5 Estrelas e forças progressistas não aguentará e haverá eleições este ano.
Na mesma conferência de imprensa, o número dois da “Liga”, Giancarlo Giorgetti, disse que “é apenas uma questão de tempo, mas mais cedo ou mais tarde, Salvini governará novamente” e enfatizou que “as pesquisas continuam a dizer que a Liga tem 30 por cento” de apoiantes.
O líder de extrema-direita defendeu a política de portos fechados que aplicou durante o seu tempo no Governo e criticou o novo Executivo formado pelo Movimento 5 Estrelas (M5E) - seu ex-parceiro - o Partido Democrata (PD) e outras formações de esquerda por terem triplicado os desembarques de migrantes.
Salvini disse que o seu partido está a trabalhar arduamente para enfrentar todas as eleições regionais convocadas para esta Primavera e não fez nenhuma autocrítica sobre as recentes eleições em Emilia-Romagna, em que a Liga perdeu contra o Partido Democrata (centro-esquerda).
“Foi um jogo difícil, a es-querda está no poder há 70 anos”, disse o líder da “Liga”, que justificou algumas acções controversas de sua campanha eleitoral no país, como quando foi a um bairro popular de Bolonha cercado por câmaras e tocou a campainha de um cidadão tunisino acusando-o de ser traficante de drogas.