Mundo

Netanyahu enaltece contribuição soviética durante II Guerra Mundial

O Primeiro-Ministro de Israel disse, ontem, que o “sacrifício e a contribuição” soviética durante a Segunda Guerra Mundial não devem ser ignorados, depois do Presidente russo ter alegado serem soviéticas 40 por cento das vítimas judaicas do Holocausto.

Benjamin Netanyahu, que falava na cerimónia de inauguração de um monumento em Jerusalém sobre o cerco de 900 dias a Leninegrado (actual São Petersburgo), destacou que milhões de residentes soviéticos foram mortos durante a Segunda Guerra Mundial.
“Não devemos nem por um segundo obscurecer o sacrifício e a contribuição da antiga União Soviética” na derrota do “monstro nazi”, declarou Netanyahu.
A cerimónia ocorreu antes do Fórum Mundial do Holocausto, que assinalou, em Jerusalém, o 75º aniversário da libertação do campo de concentração nazi de Auschwitz, onde participaram dezenas de dirigentes mundiais. A iniciativa foi marcada por disputas sobre narrativas históricas rivais acerca da II Grande Guerra ou Grande Guerra Patriótica para os russos.
O Presidente russo, Vladimir Putin, que estava presente na inauguração do memorial - São Petersburgo é a sua terra natal -, tinha antes participado na “batalha” das narrativas ao alegar que 40 por cento das vítimas judaicas do Holocausto eram soviéticas.
Historiadores consideram que dos seis milhões de judeus assassinados pelos nazis, um milhão era soviético.

Putin propõe
Cimeira de Paz
O Presidente russo, Vladimir Putin, apelou, ontem, a uma cimeira este ano dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU para “defender a paz” e “a civilização” face à instabilidade no mundo.
“Uma cimeira dos Estados que mais contribuíram para derrotar o agressor (nazi) e na criação da ordem mundial do pós-guerra desempenharia uma importante função na busca de respostas comuns face aos desafios e crises contemporâneas”, declarou o Presidente russo no decurso das comemorações, em Israel, da libertação de Auschwitz.
O Conselho de Segurança (CS) inclui 15 Estados-membros, dez rotativos e cinco permanentes (Rússia, Estados Unidos, China, Reino Unido e França).
“A Rússia está preparada para esta conversação séria, em qualquer país, em qualquer local do mundo que seja cómoda para os colegas”, disse, indicando que propôs a ideia a “alguns” dos Chefes de Estado e “vislumbrando uma reacção positiva”.
Vladimir Putin prevê grandes celebrações em Moscovo em 9 de Maio para assinalar o final da Segunda Guerra Mundial, na presença de numerosos dirigentes.
“Esquecer as lições do passado, a divisão face às ameaças, pode ter consequências terríveis. Devemos ter a coragem não apenas de falar, mas de tudo fazer para defender e preservar a paz”, sublinhou.
Na sua perspectiva, os cinco membros permanentes do CS têm “uma responsabilidade particular para salvaguardar a civilização”.
“Considero que a concretização desta conferência em 2020 seria importante e simbólica, atendendo a que assinalamos os 75 anos do final da Segunda Guerra Mundial e da fundação da ONU, disse ainda.
Putin apenas fez uma referência directa ao conflito armado na Líbia, na sequência da cimeira de domingo em Berlim sobre a situação no país do norte de África.
A Rússia, geralmente apoiada pela China, opõe-se ao Ocidente em numerosos temas internacionais, desde a guerra na Síria e na Ucrânia à situação na Venezuela.
As crises em torno do Irão é outra questão onde se enfrentam russos e norte-americanos. Putin tem sugerido, por diversas ocasiões, que a ONU se encontra numa situação de impotência ou paralisação.

Estados Unidos apelam à união contra a ameaça do Irão

O vice-Presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, pediu, ontem, à comunidade internacional para se “manter firme” contra a República Islâmica do Irão, durante as comemorações dos 75 anos da libertação do campo de concentração nazi de Auschwitz.
As declarações de Pence foram feitas horas depois de o Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ter solicitado medidas rápidas “contra os tiranos de Teerão”, pelos aliados, para evitar “outro Holocausto”. Os Estados Unidos foram os aliados que apresentaram a mais rápida resposta a este apelo e, durante as comemorações dos 75 anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz, ontem em Jerusalém, Mike Pence mostrou total sintonia com os receios do Governo israelita perante a ameaça iraniana.
“Precisamos de nos preparar para enfrentar a onda de antissemitismo . Temos de nos manter firmes perante aquele que é o mais antissemita dos países”, disse Mike Pence, lembrando a necessidade de impedir o Irão de desenvolver o programa nuclear, que o tornaria uma séria ameaça para o mundo.
Benjamin Netanyahu já tinha alertado para a possibilidade de a ameaça nazi se repetir, pela mão de Teerão, explicando que o seu programa nuclear pode ameaçar a própria existência do Estado hebraico.
Teerão tem negado pretender desenvolver um programa nuclear para fins militares, mas Israel e os Estados Unidos consideram seriamente essa hipótese, e Donald Trump abandonou o acordo nuclear com o Irão, acusando o país de não cumprir as directrizes do tratado, tendo, desde então, aplicado severas sanções económicas.
Nas últimas semanas, a tensão aumentou entre os dois países, depois de os Estados Unidos terem assassinado um alto comandante iraniano, no Iraque, que provocou uma retaliação por parte do Irão, que atacou várias bases militares iraquianas onde estão destacados militares americanos.