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PR guineense ausente de cimeira da CEDEAO para debater situação no país

O Presidente guineense, José Mário Vaz, vai estar ausente da cimeira extraordinária da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que se realiza hoje no Níger, para debater a situação política na Guiné-Bissau.

A ausência foi confirmada pelo chefe de Estado cessante e recandidato ao cargo na quinta-feira, durante um comício no âmbito da campanha eleitoral para as presidenciais de 24 de Novembro, em Nhacra.

"Sei o que me espera lá", observou José Mário Vaz. A ministra dos Negócios Estrangeiros do Governo de Aristides Gomes, Suzi Barbosa, é que vai representar a Guiné-Bissau na cimeira extraordinária de chefes de Estado e de Governo da CEDEAO que se realiza em Niamey, no Níger.

A cimeira extraordinária foi convocada na sequência da demissão do Governo liderado por Aristides Gomes, saído das eleições legislativas de 10 de Março, pelo Presidente guineense, José Mário Vaz, a menos de um mês da realização de eleições presidenciais, marcadas para 24 de Novembro.

Depois de demitir o Governo de Aristides Gomes, o Presidente guineense nomeou Faustino Imbali, do Partido de Renovação Social (PRS), primeiro-ministro e deu posse a um Governo constituído por elementos do Movimento para a Alternância Democrática (Madem G15), PRS e Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), alegando sair de uma nova maioria no parlamento.

A decisão, que fez aumentar a tensão política no país, foi condenada pelos parceiros internacionais da Guiné-Bissau, bem como pela CEDEAO, que tem mediado a crise política no país. A União Africana, a União Europeia, a CEDEAO, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a Organização das Nações Unidas disseram que apenas reconhecem o executivo saído das eleições legislativas de 10 de Março, que continua em funções.

Na quarta-feira, o representante da CEDEAO em Bissau, Blaise Dipló, afirmou que os membros do Governo de Faustino Imbali tinham até hoje para se demitirem, caso contrário sofrerão "sanções pesadas" por parte da organização. A Guiné-Bissau realiza eleições presidenciais em 24 de Novembro, estando a segunda volta, caso seja necessária, marcada para 29 de Dezembro. A campanha eleitoral, na qual participam 12 candidatos aprovados pelo Supremo Tribunal de Justiça, começou no sábado e termina no dia 22 de Novembro.