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Republicanos acusados de prepararem “julgamento fraudulento”

Os democratas queixam-se, ainda, de que a maioria republicana se prepara para evitar a convocação de testemunhas e para dificultar o acesso a documentos que consideram ser essenciais para o justo julgamento de Donald Trump.

Os eleitos pelo Partido Democrata acusam os homólogos republicanos de estarem a preparar um “julgamento fraudulento”, no processo para a destituição do Presidente dos EUA, Donald Trump, que se iniciou ontem no Congresso.
Donald Trump começou, ontem, a ser julgado politicamente, num caso de “impeachment” em que é acusado de abuso de poder e obstrução ao Congresso, mas os democratas consideram que a maioria republicana no Senado está a subverter as regras de um processo que deveria ser transparente.
"Eles estão a diminuir a duração do julgamento", para que as sessões de audiências "se prolonguem noite dentro", quando "os americanos já não estão a assistir", disse o representante Adam Schiff, um dos sete procuradores democratas encarregados de fazer a acusação contra Trump.
O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, apresentou as regras para o julgamento, que obrigam a que as alegações iniciais dos 100 senadores sejam feitas num período de dois dias e com a duração máxima de 24 horas.
Este procedimento obrigará a que cada um dos dois dias iniciais do julgamento político do Presidente tenha sessões de 12 horas, iniciando-se os trabalhos às 13h00 locais e prolongando-se até ao início da madrugada do dia seguinte.
“Estas regras não são feitas para um julgamento justo. São regras para um julgamento fraudulento”, lamentou Adam Schiff.
De acordo com o regulamento proposto pelos republicanos, após as sessões de alegações iniciais, haverá 16 horas para perguntas e debate, o que os democratas também consideram insuficiente, acusando Trump de pretender ter um julgamento rápido, que evite danos na imagem pessoal, em ano de campanha eleitoral onde se recandidata para um segundo mandato. De acordo com as regras apresentadas por Mitch McConnell, na próxima semana será colocada à votação a decisão de convocar testemunhas, sendo preciso uma maioria simples para que seja aprovada essa convocatória.
Os democratas já anunciaram que gostariam de ouvir o ex-conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, e o chefe de gabinete de Trump, Mick Mulvaney, dizendo que o seu testemunho pode ser importante.
No processo de "impeachment", Donald Trump é acusado de ter tentado pressionar o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenksi, para que investigasse a actividade da família de Joe Biden, rival político do líder norte-americano, junto de uma empresa ucraniana envolvida num caso de corrupção.
Em Dezembro, a maioria democrata na Câmara de Representantes aprovou dois artigos de destituição, acusando Trump de abuso de poder e de obstrução ao Congresso.
O processo transitou para o Senado onde será necessária uma maioria qualificada de 2/3 de votos para que Trump seja destituído do cargo, o que é improvável perante a maioria republicana (53 contra 47) que já disse estar comprometida em rejeitar os argumentos dos democratas.