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Síria reconhece genocídio arménio em clima de tensão com a Turquia

O Parlamento sírio reconheceu, ontem, oficialmente, como “genocídio” o massacre de cerca de 1,5 milhões de arménios entre 1915 e 1917, num momento em que se agrava a tensão com a Turquia após confrontos mortíferos no Noroeste da Síria.


O texto da resolução do Parlamento, votado por unanimidade, “condena e reconhece o crime de genocídio cometido contra os arménios pelo Estado otomano no início do século XX e condena a tentativa de qualquer parte de negar este crime e distorcer a verdade histórica”, informou a agência SANA.
O texto do Parlamento sírio refere-se ainda a “um dos crimes mais cruéis e duros contra a humanidade”.
A República da Turquia, fundada em 1923 e proveniente da dissolução do Império otomano, reconhece os massacres, mas recusa o termo de genocídio, ao referir-se a uma guerra civil na Anatólia e fome generalizada, que terá vitimado entre 300 mil e 500 mil arménios e um número semelhante de turcos.
Numerosos historiadores e universitários concluíram que a deportação e o massacre de arménios durante a Primeira Guerra Mundial correspondem à definição jurídica de genocídio.
Cerca de 30 países adoptaram leis, resoluções ou moções que reconhecem o genocídio arménio.
Este reconhecimento pelo Parlamento de Damasco surge num contexto de fortes tensões entre a Síria e a Turquia. Na quarta-feira, o Presidente turco Recep Tayyip Erdogan ameaçou atacar o regime sírio “em todo o lado” em caso de novo ataque contra as forças turcas.
“O confronto dos nossos heróicos soldados (...) sob a liderança do Presidente Bashar al-Assad com a brutal agressão turca é uma acção histórica, que tem como objectivo evitar o surgimento de um novo monstro otomano que conclua os velhos crimes otomanos", disse o porta-voz do Parlamento sirio, Hammouda Sabbagh.