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Trump impede embaixador de testemunhar no Congresso

A administração de Donald Trump impediu Gordon Sondland, embaixador dos Estados Unidos junto da União Europeia, de comparecer, ontem, no Congresso para testemunhar no âmbito do inquérito parlamentar com vista a um processo de destituição do Presidente norte-americano.

“No início da manhã, o Departamento de Estado norte-americano pediu ao embaixador Gordon Sondland que não comparecesse” no depoimento previsto no painel da Câmara dos Representantes (Câmara baixa do Congresso) que está a conduzir um inquérito para o 'impeachment' (destituição)”, indicou um advogado do representante diplomático, sem avançar as razões de tal decisão.
"O embaixador Sondland está profundamente desapontado por não poder testemunhar", referiu o advogado Robert Luskin, prosseguindo: "O embaixador Sondland viajou para Washington, de Bruxelas, a fim de preparar o seu testemunho e estar disponível para responder às perguntas do comité".
O comité que ia ouvir, à porta fechada, Gordon Sondland, é composto por membros de três comissões da Câmara dos Representantes (Negócios Estrangeiros, Informação e Supervisão).
Nas mesmas declarações, divulgadas num comunicado citado pelas agências internacionais, o advogado concluiu que Gordon Sondland “espera que os problemas referidos pelo Departamento de Estado” para impedir o testemunho no Congresso "sejam resolvidos rapidamente”.
Donald Trump deu, entretanto, a sua versão dos motivos da decisão da Administração norte-americana.
“Adoraria enviar o embaixador Gordon Sondland, um homem muito bom e um grande americano, para testemunhar, mas, infelizmente, iria testemunhar diante de um pseudo tribunal totalmente comprometido”, escreveu o Chefe de Estado na sua conta na rede social Twitter.
A 24 de Setembro, a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, anunciou que aquela Câmara ia dar início a um inquérito parlamentar com vista a um processo de destituição de Trump. Em reacção, o Presidente apelidou o processo uma “caça às bruxas”.
A decisão da líder dos democratas (que detêm a maioria na Câmara dos Representantes) surgiu após suspeitas em torno de um telefonema entre Trump e o homólogo da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, no qual o Chefe de Estado norte-americano terá pedido e incentivado uma investigação ao filho do ex-Vice-Presidente Joe Biden, favorito para vir a ser o candidato democrata às presidenciais de 2020.
Pelo menos, dois informadores mostraram-se dispostos a testemunhar sobre Trump. Para os democratas, a ausência do embaixador Gordon Sondland, encarado como um “actor-chave” no dossier ucraniano, e o facto de ele não ter entregado os documentos esperados, representam “novas evidências fortes de um obstáculo às funções constitucionais do Congresso”, reagiu Adam Schiff, presidente da comissão de Informação da Câmara dos Representantes.
Importante nome do sector hoteleiro, Gordon Sondland contribuiu financeiramente para a campanha e para a cerimónia de investidura de Donald Trump, do qual tornou-se próximo.
Gordon Sondland participou numa troca de mensagens escritas no telemóvel sobre a Ucrânia, que foram entregues ao Congresso na semana passada pelo ex-enviado especial dos Estados Unidos para a Ucrânia, Kurt Volker.
Antes de Donald Trump, apenas três Presidentes norte-americanos viram o Congresso iniciar um processo parlamentar com vista à destituição, mas nenhum foi destituído: Andrew Johnson (1868), Richard Nixon (que apresentou demissão em 1974 para evitar uma destituição quase certa) e Bill Clinton (absolvido pelo Senado, câmara alta do Congresso, em 1999).