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Angola para lá da crise económica

Estamos plenamente de acordo que entre os factores impulsionadores de qualquer sociedade, os de ordem económica apresentam-se com destacada importância, considerando que resultam daquilo que de essencial as pessoas precisam para sobreviver, partindo da definição de ser, a Economia, a ciência que consiste na análise da produção, distribuição e consumo de bens e serviços.

Nos dias que correm, a referida ciência aplica o seu corpo de conhecimento para análises e gestão dos mais variados tipos de organização humana a nível de entidades públicas, empresas privadas, cooperativas, finanças, desenvolvimento dos países, ambiente, mercado de trabalho, cultura, agricultura etc, etc.
Deste princípio, somos igualmente instados a concordar - reservado o necessário espaço para opiniões diferentes - com aqueles que consideram a Economia como a base de tudo que gravita no horizonte visual humano, dando como certa a concepção de que sem ela, a Economia, não existe mais nada, senão crise ou outra coisa similar.
Chegados aqui, somos obrigados a alguma contenção, sobretudo verbal, considerando ser importante assinalar que a “teoria” acima defendida deve estar conexa a uma dose de racionalidade e equilíbrio, pois é mister que para lá de qualquer crise económica há vida; há um mundo em movimento e mutação constante, que nos leva a outras abordagens, com sentido de esperança.
Em termos concretos e contextualizando a realidade angolana do momento, apesar dos sacrifícios que mais uma vez somos chamados a consentir, em nome dos demais valores patrióticos, apraz-nos dizer que, para lá da crise económica, independentemente dos seus contornos, a vida continua, os cidadãos apresentam-se aptos para o exercício das demais tarefas, claro, imbuídos do espírito do dito popular, segundo o qual “parar é sinónimo de morte”.
E, por mais força que tenham os movimentos pessimistas, a verdade é que Angola não está literalmente parada, e para certificação do que se afirma, superabundam acções em curso que bem exemplificam os esforços do Executivo no sentido de eliminar a onda de nebulosidade que durante algum tempo adornou a economia doméstica, por conta de quem preferimos não dizer o nome, ainda que não seja por temer picadas de uns “poucos marimbondos” - com os direitos reservados ao autor da expressão.
Não se desviando do prumo desta reflexão, torna-se importante assinalar que, mais do que meras intenções, são tangíveis um conjunto de medidas implementadas pelo Governo para facilitar o investimento a vários níveis, com o fim único de relançar a economia nacional, entendendo-se a acção como a rampa para catapultar o crescimento e desenvolvimento do país, que, diga-se de passagem, tem potencial para sentir-se confortada num salutar cenário de competição com outras economias da região austral de África e não só.
Não tenhamos dúvidas que as acções em curso, com vista a posicionar o país para além da crise económica, produzirão, por altura do balanço, notas positivas, pois tais realizações assentam na perspectiva de melhorar o quadro de serviços e bens necessários para que os cidadãos vivam felizes, esperançados num futuro risonho.
Este futuro passa pela construção de um conjunto de novas ideias em todos os sectores da sociedade, com destaque para o político que, acima de tudo, tem responsabilidades acrescidas, partindo do pressuposto de que tudo na vida é política (afinal não é só de economia que vive o homem -, conforme acima tentamos cristalizar, ao dizer que a economia é tudo).
Neste entendimento e apesar da crise económica, por exemplo, deve-se dar nota positiva ao fim do ano lectivo, cujo percurso foi beliscado com greves no ensino geral (não interessa, para esta reflexão, o sistema universitário, pelas muitas makas que anda com elas), pois prevaleceu o diálogo para que o pior não acontecesse.
E falando em diálogo cujo apelo para o exercício deve ser permanente, saudamos a conversa que, “numa espécie de mata-bicho”, o Presidente João Lourenço teve, esta terça-feira, com compatriotas nossos ligados a várias instituições e organizações da sociedade civil, num claro e evidente sinal de que o Líder, além de ouvir as preocupações, conta com o contributo de todas as franjas da sociedade, para construirmos uma Angola inclusiva, profunda e verdadeiramente reconciliada, até porque, para além da crise económica, a luta continua e a vitória é certa.