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Capas trocadas

Como num furac√£o as capas de grandes jornais do mundo projetam Angola pela negativa.

A força do dinheiro levou a televisão portuguesa a ir entrevistar a artista em Londres porque na Tuga já não era segura a liberdade. As rádios, as fotografias.
Mudava de canal e vinha o mesmo, pareciam os canais portugueses de futebol. Claro que tudo o que é falar de dinheiro dá dinheiro para a comunicação. E quem manda são os assessores. Um câncer dos políticos africanos milionários e seus herdeiros. Colocam o dinheiro em paraísos fiscais ou negócios mas em nome de um “branco” como gestor. Quando acontece, como depois da morte de Mobutu, não sobrou nada para os herdeiros…os gestores comeram tudo.
Agora, estou a olhar para um mapa-múndi e tem quatrocentas bolinhas espalhadas por todo o mundo. É um império. Palácios, jóias, dinheiro espalhado por todo o mundo, o jornalismo internacional a mostrar provas, documentos, o escândalo caricato de rapar a panela à saída e receber lá fora mesmo depois de fugir.
Não seria ainda possível o bom senso? Voltar a Angola com garantias de segurança e negociar? Pedir perdão ao povo. Entregar o resultado das ilicitudes e ficar com uma parcela que lhe garantisse uma sobrevivência e desistir da vingança de querer dividir o partido que, em última análise foi quem “autorizou” tudo isto já que não haveria princesa sem rei. O povo foi enganado com o mito do homem da paz.
A paz foi depois utilizada para todo o tipo de silêncio sobre as verdades à vista desarmada. Vão cerca de vinte anos que a mulher mais rica da África era de Angola. Culpados são todos aqueles que tendo palavra e escrita, fizeram silêncio e quantas vezes aumentaram a prestação de vassalagem. Aceitaram como normal o nepotismo total desde a comunicação social, passando pelo fundo para responsabilidade de um jovem sem qualquer preparação. Dizia-me um amigo português que se a milionária pudesse tinha levado o rio Kwanza para o Dubai onde não tem rio e outro, amigo português, arranjou humor dizendo que o colonialismo roubou muito a Angola mas gastou muito na guerra colonial, até o Campo do Tarrafal mandado fazer por decreto assinado por Adriano Moreira, a pagar por Angola e com polícias idos de Angola onde já havia uma colecção de presídios. Mas, acrescentou que nunca Portugal recebeu tantas divisas de Angola como depois da nossa independência!
O mito do arquiteto da paz serviu para amarrar o pensamento do povo, deu-lhe uma camisola e um boné mais uma gasosa para morrerem de fome, sem assistência médica, sem medicamentos, quitandeiras e peixeiras perseguidas em desumanidade explícita para obrigar as pessoas a irem aos grandes espaços da sobrinha e da tia.
Agora em Portugal discutem e denunciam-se porque até foi recebida por um 1º ministro, este é que ajudou e aquele também. O arquiteto da paz, depois de todo aquele cerimonial de passar a faixa, também se foi embora e arranjou uma guerra mundial, está em Espanha, enquanto os nossos irmãos moçambicanos festejaram os oitenta anos de Chissano que está lá no seu país como cidadão num país cheio de problemas mas onde há debates sérios com académicos sérios e se inauguram livrarias.
Mas há outros aspecto da encrenca que é preciso desencrencar. Não se tem explicado bem ao povo. Os bens que passam para o estado não devem ser vendidos a granel. O Estado deveria cuidar para que a gestão normal prossiga, melhoria salarial para estimular em vez de assustar os trabalhadores, arrendar mais o direito a um percentual nos lucros líquidos e ser titular do conselho fiscal. Afinal o que falhou foi a fiscalização num sistema judicial dependente da política.
Fala-se agora em cerco. E quem convence a barona a ir à luta contra tudo e contra todos são os conselheiros pois continuam a ganhar, querem que o litígio demore mais tempo para ganharem até ao cadáver. E ela não se apercebe disso? Que não é uma questão política… para asilo político…não há asilo político para criminosos. Mas pode haver uma pacificação.
Por causa de uma família, de férias fora do país, Angola é capa de jornais famosos. Os nossos inimigos da independência também dão a notícia com o sentido de como se roubou em Angola. E dão a voz à senhora que se atira para a política, para a soberba e já fala em tribunais internacionais como se ela fosse um país contra Angola.
Mas a comunicação não devia usar essas capas com o rosto da barona. As capas deviam ter outro rosto. Da pessoa que teve a coragem de enfrentar um império que, nos países africanos chega para fazer um golpe de Estado. Era o rosto de João Lourenço que deveria aparecer nas capas. O rosto do reverso da moeda que está a mostrar ao povo quem roubou. Quer dizer que os jornais podiam trocar as capas.