Opinião / Artigos

“Funcionalismo público”

O funcionalismo público era, no tempo colonial, garantia de emprego para toda a vida, mais a vantagem, entre outras, de horário invejável, com horas certas para o almoço e saída ainda com sol a brilhar.

Aquela vida apetecível enraizou-se, mesmo que os salários fossem, na maioria dos casos, mais baixos do que na generalidade dos pagos no sector privado. E esta mentalidade mantém-se.
O que significa que o sentido de dever em relação à causa pública é algo que nunca houve entre nós, mesmo que os vencimentos continuem, por norma, aquém dos pagos nas empresas particulares. Mais, o “espírito de função pública” estende-se agora ao todo nacional, independentemente das  áreas.
Este “espírito de função pública” transformou-se, pois, num hábito. Incentivado, com frequência, por quem tem a obrigação de o travar, impedir esta forma de boicotar - é, no fundo, o que significa - a economia, o desenvolvimento do país.
Luanda é exemplo descarado deste pernicioso espírito de “funcionalismo público”. As poucas obras nas artérias, quando as há, obedecem àquela mentalidade: interrompidas aos fins-de-semana. E aos outros dias, antes do Sol dizer adeus. Isto, enquanto não chove...