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O país está em marcha firme

O discurso proferido ontem na Assembleia Nacional pelo Presidente da República, João Lourenço, sobre o estado da nação, contraria em larga medida a onda de cepticismo que tem sido plantada de forma insistente por determinados sectores políticos sobre os rumos que o país está a seguir.


Essas manifestações de descrença estão essencialmente polarizadas nas discussões sobre dois aspectos principais do conjunto das acções governativas: a realização das eleições autárquicas e a amplitude do combate à corrupção, que tem sido levado a cabo com resultados cada vez mais consistentes com a promessa feita por João Lourenço aquando da sua investidura como Chefe de Estado.

Com efeito, têm sido essas duas as questões que mais espaço de tempo têm ocupado na agenda das abordagens políticas, com as vozes contrárias a procurarem imputar ao Executivo falhas e responsabilidades com o propósito de lançar o descrédito em relação ao seu desempenho.
Não sendo de esperar, pelo menos por parte de quem faz oposição, um discurso alinhado com os argumentos defendidos pelo Governo, os factos e números dados a conhecer ontem, pelo Chefe de Estado, trataram de desconstruir a narrativa relativamente a um alegado adiamento ou falta de vontade em realizar as eleições autárquicas, bem como, quanto à corrupção, foi pertinente a revelação de que, à medida que o processo avança, novas coisas estão a ser descobertas.

Um dado que nos remete para a reflexão sobre a necessidade de se trabalhar com profundidade sobre o tema e esperar por resultados nos momentos oportunos, o que desde já desaconselha o imediatismo com que algumas intervenções gostariam de ver o assunto ser tratado.
Este primeiro ciclo de combate à corrupção ainda não está fechado, mas são evidentes os resultados já conseguidos e o interesse do Presidente João Lourenço em dá-lo por resolvido, ou pelo menos substancialmente resolvido, ao concluir este seu mandato presidencial de cinco anos de governação. Se dúvidas ainda houvesse sobre este assunto, os últimos desenvolvimentos no plano judicial trataram de as dissipar e de transmitir e vincar que nada será deixado ao acaso.

E porque o país não se resume à questão das autarquias e do combate à corrupção, o Chefe de Estado dedicou grande parte da sua intervenção aos projectos económicos em curso, no âmbito dos diversos programas estruturantes em curso - como o Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), o Programa de Apoio ao Crédito (PAC), o Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI), entre outros -, cuja execução está a reforçar a implementação da administração local do Estado e a mudar o mapa da produção agropecuária no país.

Apesar das consequências profundas da pandemia da Covid-19 sobre a economia nacional, cujo impacto, entretanto, parece não estar a ser levado devidamente em consideração por quem afirma que o Governo poderia e deveria fazer muito mais e melhor, os dados avançados pelo Presidente João Lourenço mostraram um país em marcha firme. Ou seja, não obstante a crise sanitária mundial, há resultados positivos alcançados em domínios onde, em situação normal e com melhores recursos, não se registavam antes. São os casos, por exemplo, dos 1.200 projectos em construção, de um total de 1.749, no âmbito do PIIM, dos quais 12 estão terminados; a ampliação em curso da refinaria de Luanda e a construção, também em curso, de uma refinaria em Cabinda; a exportação do primeiro lote de ouro produzido na província da Huíla: o aumento em 58.8 por cento da produção de sal; a inauguração de novas fábricas, além de investimentos em outros sectores, como o dos transportes e reparação e construção de vias rodoviárias.

Apesar de a pandemia da Covid-19 ter obrigado o Executivo a reorientar a aplicação dos já parcos recursos financeiros de que dispunha para reanimar a economia, uma situação de aperto originada pela queda do preço do petróleo no mercado internacional, a preocupação em manter em funcionamento os sectores vitais e promover outros acabou por revelar-se a solução mais acertada, num contexto em que o mundo está a ser severamente abalado pelo novo coronavírus.

Há, portanto, espaço para um relativo optimismo em relação ao futuro, não obstante termos de continuar a viver com a Sars-Cov-2 e de lamentar profundamente o facto de estarmos a perder quadros que muita falta nos fazem nesta hora em que mais deles precisamos para construir uma nova Angola.
Em memória dos que partiram, é nosso dever darmos o nosso melhor para que o país avance, é nossa obrigação encontrar soluções até mesmo para situações que, à primeira vista, pareçam impossíveis de resolver.