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Sentença e reflexão

O polícia que recentemente assassinou a tiro, no Rocha Pinto, uma indefesa zungueira foi condenado, na semana passada, a 16 anos de prisão, sentença exemplar, que merece reflexão do autor do crime e da corporação a que pertencia.

Ao disparar contra uma simples vendedora de rua, obrigada a sê-lo para poder diariamente enganar o estômago dos filhos, dela própria e do marido desem-

pregado, o polícia assassino pôs, uma vez mais a nu, o que todos sabem, a falta de preparação de muitos dos que têm a incumbência de zelar pela ordem e segurança públicas e não o fazem.
O assassinato da zungueira do Rocha Pinto, além de privar os filhos dela da maior riqueza que tinham, o amor maternal, deixou-os, também, sem quem lhes punha o pão na mesa, para isso arriscando-se a vender na rua, ao fim da tarde, em frente à casa, montinhos de tomate, sem ter licença para tal. Fosse ela traficante ilegal de dinheiro, isso, sim, crime grave por atentar contra a economia nacional, e, provavelmente, estava viva, sentada em plena via pública à vista de todos, enquanto lhe pintavam as unhas dos pés e mantinha amena cavaqueira com um fardado qualquer, daqueles que desonram a corporação Polícia.
O polícia assassino despedaçou uma família hu-milde, deixou-a mais pobre ainda, mas também a dele, principalmente pela vergonha como a cobriu para toda a vida. É mais do que altura de perceber que nem todos podem ser polícias.