Opinião / Artigos

Zona tampão


A Turquia pretende criar uma “zona tampão” na zona da fronteira com a Síria, concretamente na parte da parte Sul daquele primeiro e Norte do último. O país de Tayep Erdogan vive a braços com uma rebelião dos curdos há mais de 50 anos e, numa altura em que a zona nordeste da Síria se encontra como “uma terra de ninguém” que os rebeldes curdos aproveitam, têm razão os turcos.
Na verdade, todos os países que se confrontam com vizinhos, cujas fronteiras servem como rampa de lançamento de ataques contra o seu território, acabam não tendo muitas alternativas. A diplomacia entre a Síria e a Turquia não jogou o seu papel esperado na medida em que, particularmente, a Síria nunca cumpriu rigorosamente com as disposições dos compromissos assumidos.
Falo do Acordo de Adana, assinado curiosamente num mês como esse, em 1998, e que visava terminar com a colaboração entre o então Governo do Presidente Bashar al Assad e os rebeldes curdos.
E na verdade, inicialmente, a Síria respeitava os acordos até que mais tarde deixou de fazê-lo, levando a Turquia a tomar as medidas que está agora a tomar. É verdade que, do ponto de vista político, militar e até humanitário, as consequências são sempre desastrosas.
Mas os países que agora se opõem com a alegação de que a intervenção viola o espaço territorial de um país soberano, nomeadamente os Estados Unidos, não têm moral para esse tipo de exercício propagandístico, inclusive porque até muito recentemente tinham tropas estacionadas na Síria, sem o convite das autoridades sírias.
Brígida Campos|Cacuaco


Desvalorização da moeda
É facto tangível, a desvalorização contínua da moeda nacional face às suas homólogas estrangeiras, mormente o dólar, uma situação que carece de uma estratégia de inversão do actual quadro.
Não faz bem, para pessoas leigas nesta matéria, terem a percepção, errada ou verdadeira, de que parece que se não está a fazer absolutamente nada para a inversão do actual quadro de desvalorização do kwanza, que começa a ser grave. Os nossos empresários estão com muitas dificuldades para gerir o seu dia-a-dia.
O poder de compra das populações está-se a degradar ininterruptamente sem que quem trabalha tenha garantias de quando esse ciclo vai terminar, ou, no pior dos cenários, pelo menos, a informação de que vai continuar assim para que as pessoas se preparem melhor. Se o BNA não é capaz de contornar o actual ciclo de desvalorização do kwanza e se como Estado não somos capazes de tirar proveito dos custos de produção com a moeda desvalorizada, então a culpa é toda a nossa. Só podemos nos queixar de nós próprios.
E as famílias não se devem transformar no elo mais fraco, da corda, ao ponto de suportarem todos os efeitos perniciosos dessa desvalorização contínua. Espero que consigamos superar tudo isso.
António da Silva Lobito