Opinião

Cartas do Leitor

Senhor da guerra líbio Escrevo para reavivar um bocado a memória sobre os senhores da guerra que o continente africano testemunhou ao longo de vários anos da década de noventa. Lembro-me do general Farah Aidid, na Somália, que era uma espécie de “Osama Bin Laden daquele país”. Depois tínhamos, na Libéria, Prince Johnson e Charles Taylor, acabando este último por chegar a exercer o cargo de Presidente do país. O que se está a passar na Líbia desafia a compreensão de qualquer ser humano, africano ou não, numa altura em que ficaram para trás as experiências pelas quais muitos passaram com os chamados “senhores da guerra”. O general Khalifa Haftar, é um verdadeiro senhor da guerra em África, provavelmente dos últimos que o continente testemunhou, e que apenas subsiste por força da falta de coragem, para não dizer mesmo da falta de vergonha, por parte das lideranças africanas. Segundo alguns sites de notícias, o conflito armado na Líbia já causou mais de 1.500 mortes - cerca de 300 civis - e obrigou mais de 100 mil pessoas a fugirem de suas casas. E a comunidade internacional continua impávida a assistir as façanhas de um senhor de guerra sem mover uma única palha. Será que a União Africana tem medo porque se trata de um líbio-americano a protagonizar a destruição de um Estado membro daquela organização? Não há coragem da dimensão do Presidente da Turquia que decidiu enviar homens e meios para a Líbia para defender um Governo reconhecido pela Organização das Nações Unidas, pela União Africana, pela União Europeia? Está demais e urge toda a comunidade internacional passar a intervir mais e energicamente para que a Líbia não se transforme na “Somália do norte de África”. Manuel Fragoso|Rocha Pinto

Contentores de lixo 

Vivo no Zango III e escrevo para o Jornal de Angola para falar sobre a inexistência de contentores de lixo no meu bairro em quantidades que satisfazem as comunidades. Essa realidade está a causar muitos transtornos na medida em que aumenta o acúmulo de lixo. Em algumas localidades há contentores, noutras não e, na verdade, essa carta não é tanto por causa da inexistência de contentores em si, mas por causa da escassez. Os moradores estão agastados por causa da distância que têm de percorrer para depositar o lixo.
Os contentores de lixo deviam estar mais próximo das casas e das comunidades, em intervalos que desencorajassem as pessoas a depositar o lixo onde bem entendessem. Os moradores andam mais de um quilómetro para deitar lixo. Os munícipes lamentam o facto de não haver contentores próximos, facto que ajudaria a todos. O número de contentores de lixo em todo o Zango não é compatível com o de moradores, um aspecto que deve ser revisto pelas autoridades.
Espero que com essa singela carta tenha contribuído para debelar uma situação que já assume contornos de um verdadeiro problema social. É verdade que as famílias devem também jogar um papel determinante na gestão dos resíduos sólidos porque, como se sabe, nem sempre o dispõem da melhor forma.
António Cordeiro |Zamba II