Opinião / Cartas dos Leitores

As vias de comunicação

Já muito se escreveu sobre as nossas vias rodoviárias, sendo que esta minha carta não é a primeira, muito menos a última. Viajando pelo interior do país tive a percepção de que o nosso potencial está nas estradas.

Só com estradas numerosas, edificadass de raiz ou reabilitadas para durar anos e anos é que vamos ser capazes de superar muitos dos actuais problemas.
Não podemos consentir que haja, em número elevado, localidades que se encontram, relativamente às sedes provinciais, municipais e comunais, como verdadeiras ilhas.
Basta chover para que muitas localidades do interior estejam completamente “cortadas” da comunicação normal com as demais regiões do país.
Trata-se de um desafio colossal, o de viabilizar vias de comunicação entre todas as localidades do país, numa altura em que Angola se debate com problemas de escassez de divisas.
Mas urge, paulatinamente, seguir em frente com iniciativas que possibilitem a construção de estradas de raiz ou reabilitação das já existentes. Independentemente do estado em que se encontram as nossas estradas principais, secundárias e terciárias, não há dúvidas de que são com estas infra-estruturas, e no estado em que se encontram, que devemos fazer o nosso caminho.
Acho que os nossos agricultores e empreendedores devem aproveitar o presente estado das estradas para escoarem os seus produtos do interior para as cidades porque de nada vai adiantar esperar. Era bom que as pessoas das zonas urbanas continuassem a empreender viagens exploratórias para o interior porque há realmente muitas oportunidades.
Julgo que seria fundamental uma troca permanente de experiências entre as populações do campo com as da cidade, para o bem de todos.
É verdade que muitas das oportunidades de negócios nas zonas urbanas se encontram no campo e vice-versa e, felizmente, têm sido devidamente aproveitadas. Mas urge um maior intercâmbio entre os dois importantes segmentos para fazer crescer o pais de Cabinda ao Cunene.

Potencial turístico

Sou estudante de Turismo e Hotelaria e escrevo para Jornal de Angola para falar sobre esta importante área que se afigura como de futuro para Angola. O nosso país tem potencialidades que precisam de ser exploradas, mas para isso precisamos de programas bem estruturados e com verdadeiro foco.
Diz-se que no turismo precisamos de saber qual o nosso foco, qual o sentido através do qual o turismo deve crescer ou as bases em que devem assentar o crescimento desta importante área.
Num momento de diversificação da economia angolana, encaro com bastante satisfação os passos que o sector turístico dá a cada dia que passa. Trata-se de um sector do futuro que precisa de ser devidamente encarado por toda a sociedade, a começar obviamente com as entidades com poder de decisão política e económica.
É preciso coragem para a tomada de algumas medidas para que façamos do turismo um sector capaz de concorrer com outros, tidos como estratégicos, na ajuda que prestam ao Estado na arrecadação de receitas.

Juliana Ferreira|São Paulo