Opinião / Cartas dos Leitores

Cartas do Leitor

Valas de drenagem As chuvas que se abatem sobre Luanda contribuíram para trazer à tona o assunto do papel e importância das valas de drenagem. Quase nunca ouvimos, nem vemos as pessoas darem importância às valas que, para muita gente, não passam de meros canais onde de tudo um pouco se pode depositar. E curiosamente apenas em tempo de chuva é que se nota alguma preocupação pelas valas, enquanto canais que devem facilitar o escoamento das águas. Essas preocupações, que são legítimas, devem ocorrer em épocas normais e não unicamente em tempo de chuva. As nossas valas de drenagem, em vez de constituírem apenas linhas de passagem das águas, também são canais através dos quais as famílias depositam os resíduos sólidos, Eu já vi pneus de automóveis, mas pneus grandes, numa vala de drenagem. Há valas em que as águas não drenam de forma fluida, provocando situações menos boas para aqueles dispositivos que foram concebidos para facilitar o encaminhamento das águas para os seus “destinos naturais”. Em minha opinião, há uma gestão inadequada das valas de drenagem, razão pela qual devemos todos repensar o que pretendemos com os canais em que escorrem as águas residuais. Para terminar, gostaria que todos fôssemos capazes de facilitar que as valas desempenhem o papel para qual foram criadas e concebidas, em vez de continuarmos a encará-las inclusive como meros depósitos de lixo. Alexandre Gouveia| Estalagem

Subida dos preços 

Vivo num bairro suburbano de Luanda e escrevo para o Jornal de Angola para falar sobre uma questão que quase passa despercebido, maka da subida de preços pelas cantinas que se encontram nos bairros. Eu até entendo que os preços variam na proporção directa entre as variáveis procura e oferta, mas nem por isso justifica que as cantinas subam todos os dias os preços. O preço de uma lata pequena de massa tomate que custava, há uma semana, oitenta kwanzas, sobe, na semana a seguir, a 120 Kwanzas, mesmo quando na fonte os preços se mantêm. Eu vivi na Namíbia, aqui próximo, e às vezes quando ligo e falo ao telefone com os familiares que lá residem, custa-me acreditar que os preços que eu deixei de coisas básicas, alguma das quais também produtos de importação, se mantêm até hoje. Como é que se admite que as cantinas subam, todas as semanas, os preços dos produtos mesmo quando na fonte onde adquirem os valores aquisição não variam? Alguém controla isso? Não consigo entender que todas as semanas as cantinas, quase todas elas exploradas por cidadãos estrangeiros, subam os preços dos produtos que comercializam. Todas as semanas e sem que nada seja feito para contrariar naqueles casos em que os preços de aquisição são os mesmos. Embora passe despercebido a muitos, acho que estamos a enfrentar uma guerra económica de pequenas proporções, mas com efeitos gravosos na nossa economia.
Pedro Mangueira|Nguanhã