Opinião / Cartas dos Leitores

O pão nosso

O preço do pão variou, nalguns casos, noutros manteve-se, mas tudo indica que as gramas reduziram substancialmente. Parece que as panificadoras aprenderam desde muito cedo a manter o preço e reduzir a quantidade das gramas.

É uma forma inteligente de subir o preço por outras vias e que, na maior parte das vezes, acaba por passar despercebido a muitos consumidores.
Na verdade, quem consumia um pão pequeno, com as gramas anteriores às circunstâncias actuais que motivaram uma subida generalizada dos preços, tem de consumidor dois ou três nesta altura em que o pão pequeno “emagreceu” consideravelmente.
Acho que a instituição que defende os consumidores devia sair a público e denunciar esse tipo de prática que se está a transferir também para os outros bens e serviços.
E se a moda pega, estaremos a ver os bens e serviços diminuídos, mas com os mesmos preços a nos criar a ilusão de que estamos a pagar e consumir a mesma coisa.
Adérito Verdades |Cacuaco

Dia do Habitat
Há dias, observou-se o chamado dia do Habitat, facto que me leva a escrever estas linhas para reflectir sobre as condições em que vivemos, com as condições que temos.
A grande maioria das pessoas e famílias vive em condições habitacionais pouco dignas e cada dia que passa notamos o rumo deficiente em que o país se encaminha em termos habitacionais.
Julgo que, independentemente da situação herdada por razões ligadas ao conflito que o país viveu, é tempo de irmos corrigindo muitos erros que se cometem com a construção de novos bairros.
Não faz sentido que novos bairros estejam a ser erguidos ao arrepio do que as regras básicas de planeamento e urbanismo sejam exaustivamente observadas. Não é recomendável que as novas construções e com elas os novos bairros ocorram sob o mesmo manto de desorganização e precariedade que as nortearam durante muito tempo. Numa altura em que os países desenvolvidos já avançaram e muito para o que denominam como “cidades inteligentes”, numa alusão ao conceito de cidades baseadas não apenas nas necessidades habitacionais actuais e modernas, mas sobretudo a contar também com os desafios futuros.
Precisamos de recorrer, se necessário, aos préstimos da ONU-Habitat, de que Angola faz parte, para as assessorias que se mostrem pertinentes para a nossa realidade e necessidades do presente e futuro.
Espero que os nossos especialistas em planeamento urbanístico tenham espaço para serem mais úteis na formulação das melhores contribuições para habitats mais sustentáveis.
Para terminar, insisto no meu apelo aos decisores públicos para que estes tenham mais sensibilidade ao ouvirem os especialistas.
Não basta decidir, é preciso ouvir quem estudou, mesmo que se não adopte o que os mesmos proponham, mas é preciso ouvir sempre. Precisamos de dar espaço às universidades e aos estudiosos na matéria.
Mário Silva |Lobito