Opinião / Editorial

A governação, os cidadãos e o Estado

A chegada ao poder do Presidente João Lourenço gerou, como era previsível, a esperança de que o país havia de caminhar para novos tempos, que se traduzissem em acções governativas voltadas para a criação de melhores condições de vida para todos os angolanos.

São ainda enormes as expectativas dos angolanos em relação à governação da era de João Lourenço, que, quando assumiu o poder, e é preciso sublinhar este facto, encontrou um país em profunda crise económica e financeira.
É verdade que são os actuais governantes que têm a responsabilidade de resolver os problemas que existem (e que não são poucos). Mas é justo que se reconheça que esses problemas, além de serem numerosos, são também complexos, e que não são de fácil resolução em muito pouco tempo de governação.
É inquestionável a vontade do Titular do Poder Executivo de mudar muita coisa que está mal, tendo dado provas, em dois anos de exercício do seu mandato, de que é um servidor do Estado totalmente empenhado em agir no sentido de todos os cidadãos terem uma vida digna.
É normal que as atenções dos cidadãos estejam centradas na figura do Presidente da República, pelos poderes que nele estão concentrados, nos termos da Constituição, criando-se a ideia de que ele pode resolver tudo de uma só vez e em pouco espaço de tempo.
Governar é fazer opções, e quando os governantes as fazem têm de estabelecer prioridades, porque os recursos financeiros são sempre escassos para acudir a todas as necessidades. E o Governo estabeleceu prioridades, estando a afectar recursos financeiros para resolver antigos problemas e para superar situações imprevisíveis decorrentes de calamidades naturais.
O Presidente da República é uma pessoa sensível aos problemas dos seus compatriotas, e ele não descansará enquanto não ver a vida dos angolanos a mudar para melhor, mesmo tendo de governar em circunstâncias adversas, do ponto de vista económico e financeiro.
João Lourenço quer certamente passar para a História como um Presidente que contribuiu para o fortalecimento das instituições do Estado e as pôs a trabalhar em prol do bem-estar dos cidadãos.
Um dos nossos grandes problemas herdados do passado é termos instituições públicas com servidores que colocam os seus interesses pessoais ou de grupo acima do interesse público.
A luta contra a impunidade é uma via que pode ajudar a construir um país em que o Estado se torne de facto numa pessoa de bem. O Estado existe para promover o bem comum e não apenas, como acontecia no passado, para proteger indivíduos que, abusando da sua posição em instituições públicas, enriqueceram ilicitamente, com as consequências nefastas que todos nós conhecemos.
O Executivo tem consciência de que existe pobreza no país, e continua a trabalhar para que se reduzam os problemas sociais, procurando permanentemente soluções para, por exemplo, se reduzir a taxa de desemprego, que afecta um número considerável de jovens, que constituem a maioria da população de Angola.