Opinião / Editorial

O consumo de bens e serviços

Celebra-se amanhã o Dia do Consumidor, uma iniciativa de um estadista mundial, nos anos 60, reconhecida e institucionalizada, anos mais tarde, pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional do Consumidor.

Com a abertura do país à economia de mercado, criaram-se consideráveis novos hábitos ao nível da oferta de bens e serviços, bem como do consumo. O crescimento do mercado e do segmento de pessoas que a ele recorre obrigou a criação de mecanismos de natureza legal que salvaguardassem direitos e deveres.
A criação do Instituto Nacional do Consumidor (INADEC), a institucionalização recente da obrigatoriedade do livro de reclamações e o selo de identificação junto dos estabelecimentos comerciais constituem passos importantes. Não podia ser de outra maneira, na medida em que ao nível do consumo, algumas garantias precisavam de estar devidamente asseguradas, para evitar atropelos por parte dos fornecedores, e os excessos dos consumidores.
O livro de reclamações ajuda no acompanhamento da qualidade e quantidade dos serviços prestados ao público, ajudando igualmente ao comerciante de bens e serviços a melhorar o seu serviço.
Trata-se de uma prática que muito vai contribuir para valorizar o nosso mercado, as nossas empresas e instituições públicas e privadas. Vai ser muito bom para o ambiente de competitividade entre as empresas e melhor para o consumidor cuja capacidade de escolha alarga-se, para bem da nossa economia de mercado.
A data representa um marco importante num mundo em transformações importantes ao nível do consumo de bens e serviços.
Na altura, quando foi idealizada a necessidade de dedicar um dia aos consumidores, entre os direitos fundamentais,  constaram o direito à segurança, à informação, direito à escolha e o direito a ser ouvido. Continuam actuais e servem ainda como fonte para práticas consentâneas com o consumo, nos termos e modalidades protegidas por lei.
 Numa altura em que o tempo escasseia, não há dúvidas de que a certeza de um atendimento rápido e bom pode contribuir também para o fortalecimento da saúde.
Esperemos que a obrigatoriedade do livro de reclamações transcenda o simples receituário público no qual os clientes debitam opiniões, para passar a ser uma medida padronizada para monitorar o atendimento.
As empresas e instituições com uma grande componente de atendimento ao público nos seus serviços fizeram esforços ingentes para se adequarem ao ambiente de reformas e alargamento do mercado em Angola. Na verdade, o consumidor angolano cresceu muito, diversificou-se e tornou-se exigente demais para ser hoje ignorado.
É difícil um estabelecimento comercial crescer e desenvolver se em matéria de atendimento ao público se estiver com défices que afectam consideravelmente a agenda dos seus consumidores e perigam a sua continuidade como empreendimento.
No fundo, a observância de alguns pressupostos elementares para que tanto  consumidores como fornecedores de bens e serviços é vital como potencial para alavancar a própria economia e gerar bem-estar geral. Esperemos que o dia de amanhã sirva para as devidas reflexões porque precisamos todos dos quatro  pilares em que assentam os direitos do consumidor, nomeadamente os da segurança, da informação, da escolha e o de ser ouvido sejam uma realidade no nosso país. Para o efeito precisamos também de reflectir sobre o consumismo exacerbado que começa a tomar conta de muitas famílias e pessoas singulares, levando a arruinar numerosas relações familiares. Antecipando-nos ao Dia Internacional do Consumidor, que se celebra amanhã, apelamos ao consumo moderado.