Opinião / Editorial

Salvemos os povos Khoisan

Uma das tarefas fundamentais do Estado, de acordo com a alínea D, do artigo 21º da Constituição da República, é "promover o bem-estar, a solidariedade social e a elevação da qualidade de vida do povo angolano, designadamente dos grupos populacionais mais desfavorecidos".

Entre estes grupos enquadram-se também as minorias étnicas e fundamentalmente aquelas inseridas em comunidades que vivem desafios ingentes de inclusão, com elevadas dificuldades de sobrevivência.
Na província do Cuando Cubango existem 31 numerosas comunidades Khoisan nos municípios de Menongue, Cuito Cuanavale, Cuangar, Calai, Dirico, Nancova, Mavinga e Rivungo. A maioria ainda sobrevive de forma primitiva, através da caça e recolha de frutos silvestres.
Urge da parte das instituições do Estado olhar com muita seriedade para os problemas que estas comunidades vivem. É verdade que, de uma maneira geral, as populações de Cabinda ao Cunene enfrentam problemas, mas as diferentes comunidades que compõem a "pátria San" vivem  o que provavelmente nenhum outro grupo populacional enfrenta, o risco de extinção.
É preciso que os membros da comunidade San, sem abdicar dos seus usos e costumes, se sintam parte integrante da nação angolana, facto apenas possível com políticas e programas concretos com impacto na vida dessas populações.
É encorajador o facto da ministra da Cultura ter trabalhado há dias no Cuando Cubango onde, com base na estratégia do Executivo baseada no Plano Nacional de Desenvolvimento 2018/2022, assegurou que se dará maior atenção ao atendimento dos grupos étnicos linguísticos minoritários.
Carolina Cerqueira disse, em nome do Executivo, que “vamos fazer estudos de investigação e recorrer a iniciativas comparadas de outros países, como a Namíbia e a África do Sul, para se encontrarem soluções de inclusão social para estas minorias étnicas, que precisam de uma atenção especial do Executivo".
Saudamos esta tomada de consciência da parte do Executivo, se assim se pode afirmar, sobre um problema que consideramos urgente e, ao contrário do que se pode pensar, que envolve problemas de base. Na sua maioria, são carências elementares, como por exemplo as que vivem os 134 membros da comunidade Khoisan da aldeia de Mbundo, que fica a 90 quilómetros da cidade de Menongue, que  têm falta de alimentação, vestuário, água potável, medicamentos e material escolar.
Sem prejuízo para a preservação dos usos e costumes das populações destas comunidades que habitam predominantemente o sudoeste de Angola, é preciso dotar as referidas comunidades das formas convencionais de tratar da saúde, do ensino para crianças e adultos, acesso à água e á energia eléctrica. Embora vivam como sempre foi ancestralmente, é preciso que todos os membros da comunidade San saibam, tenham conhecimento e garantias de acesso às outras formas de ser e estar na vida com igualdade de oportunidades. É preciso criar essas condições para que os meios de sobrevivência destas comunidades não passe necessária e forçosamente pelo abandono das suas formas tradicionais de vida, plenamente compatíveis com "a civilização". Por isso, instamos as instituições do Estado, a sociedade em geral e em particular o Executivo para que acelere na materialização de programas que visam proporcionar condições dignas de vida dos povos que pertencem a comunidade San.