Política

“Angola vive um novo paradigma de governação”

O ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, afirmou ontem, em Londres, que Angola vive um novo paradigma e um verdadeiro Estado de Direito, essencial para que haja confiança no país.

"Precisamos de ter em Angola um verdadeiro Estado de Direito. Consideramos que o Estado de Direito é o elemento essencial para que haja confiança dos agentes na sociedade em que estamos inseridos", afirmou aos jornalistas, à margem da Cimeira de Investimento Reino Unido-África, na qual representou o Presidente da República, João Lourenço.
Manuel Nunes Júnior lembrou que o Reino Unido está na dianteira do desenvolvimento mundial e, Angola, que vive um novo paradigma de governação para promover a instalação "de uma economia de mercado devidamente estruturada", que deixe de estar dependente do petróleo, conta com este país para diversificar as fontes de receitas.
O ministro de Estado da Coordenação Económica não tem quaisquer dúvidas que o Reino Unido, enquanto um dos principais centros financeiros do mundo, pode desempenhar um papel de grande relevância na canalização de investimentos necessários em áreas como a agricultura, agroindústria, turismo, indústria transformadora, extractiva ou telecomunicações.
"Estamos nesta cimeira para passar esta mensagem e que mais investimentos fluam para Angola em vários domínios", vincou.
A delegação angolana integrou ainda a ministra das Finanças, Vera Daves, o ministro dos Recursos Minerais e Petróleos, Diamantino Azevedo, e o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano.

Nova política migratória
O Primeiro-Ministro britânico, Boris Johnson, anunciou, ontem, uma nova política migratória do Reino Unido no pós-Brexit, que vai defender as pessoas e não os passaportes, como acontece hoje na União Europeia, bloco a que o país deixa de pertencer a 31 deste mês.
No discurso de abertura da Cimeira de Investimento Reino Unido-África, que encerrou ontem, em Londres, o chefe do Governo britânico assegurou que o país colocará "as pessoas acima dos passaportes”, para exaltar os benefícios das relações económicas e sociais futuras com os países africanos.
África tem sido um dos continentes mais atingidos pelas mortes de migrantes durante a travessia do Mar Mediterrâneo a caminho da Europa.
Além de propor aos países do mundo inteiro uma nova política migratória e uma parceria de investimento favorita com África, Boris Jonhson garantiu promover o conhecimento e a experiência em tecnologias limpas, infra-estrutras e serviços financeiros, para ajudar o continente a crescer economicamente de forma sustentável em termos ambientais.
Nesse sentido, anunciou o fim do apoio do Reino Unido à exploração de carvão térmico ou de centrais de energia a carvão em países em desenvolvimento, e defender a transição para energias limpas.
O Primeiro-Ministro britânico disse que o Reino Unido se está a apresentar a África como o “balcão único" para o desenvolvimento do comércio, educação e tecnologia.
"Olhem ao redor do mundo hoje e verão, rapidamente, que o Reino Unido não é apenas o parceiro óbvio de escolha, também somos o parceiro de hoje, de amanhã e das próximas décadas", disse aos chefes de Estado e de Governo presentes na Sala de Conferências do Hotel Intercontinental de Londres.
Boris Johnson apresentou o Brexit como "um novo começo" para o Reino Unido e para o comércio com outras nações. “Queremos construir um novo futuro como nação global de livre comércio. É nisso que vamos embarcar, em 31 de Janeiro”, assegurou Jonhson.
Para esta primeira Cimeira de Investimento Reino Unido-África, Boris Johnson conseguiu a participação de 21 dos 54 países africanos, incluindo 16 chefes de Estado da Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Egipto, Ghana, Guiné Conacri, Marrocos, Moçambique, Nigéria, Quénia, Malawi, Mauritânia, Ilhas Maurícias, Rwanda, Senegal, Serra Leoa e Uganda.
Participaram igualmente na Cimeira o príncipe Harry, o presidente da União Africana, Moussa Faki, dirigentes de empresas como Standard Bank, Vodafone, BP, G4S.